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Filho adolescente com TDAH? Fique de olho no abuso dos remédios

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O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é uma desordem neurodesenvolvimental caracterizada por elevados níveis de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade. O transtorno ocorre em aproximadamente de 3% a 10% das crianças e adolescentes e em 2,5% dos adultos.1

Os tratamentos envolvem abordagens farmacológicas e não farmacológicas, como terapias comportamentais, coaching, terapia cognitivo-comportamental e neurofeedback.

Diversos estudos comprovam a efetividade da prescrição de estimulantes para os sintomas de TDAH em crianças e adultos. Estudos mais recentes reportam que estimulantes geralmente levam a melhorias na autorregulação, planejamento e habilidades organizacionais ligadas à função executiva.2

Porém, como toda medicação, existe um cuidado a ser tomado.

É preciso deixar claro que pessoas que tomam seus remédios como recomendado pelos médicos não correm riscos quaisquer de se tornarem viciadas, como a crença popular pode sugerir.

O que ocorre é que alguns agentes do TDAH, particularmente aqueles com efeitos estimulantes, podem se tornar viciantes quando o paciente abusa das medicações.

Frisamos: quando o paciente abusa das medicações.

Isso ocorre em particular com adolescentes e jovens (sendo que muitos deles sequer possuem prescrições), que abusam dos comprimidos pela sensação de potencialização que os remédios geram quando tomados em excesso ou quando não são necessários, no caso de pessoas que não sofrem do transtorno.

Muitas medicações para o TDAH agem estimulando neurotransmissores no cérebro, como a dopamina e a epinefrina. Ajustar estes neurotransmissores é altamente efetivo em pacientes de TDAH, depressão e ansiedade.

Estimulantes populares incluem o metilfenidato (Ritalina, Concerta, Daytrana), que trabalha potencializando os neurotransmissores. Outros, como o Focalin, utilizam o dexmetilfenidato.

Uma pesquisa monitorou o comportamento de estudantes adolescentes norte-americanos por 33 anos.3 Em 2008, a conclusão foi lançada: 2,9% dos alunos entre 15 e 16 anos abusavam do metilfenidato. 3,4% dos alunos entre 17 e 18% abusavam da mesma substância.

Parece pouco? O número sobe consideravelmente quando falamos de medicações com anfetamina, como Adderall, Dextrostat, Dexedrine e outros remédios que utilizam a dextroanfetamina como princípio ativo.

O abuso de medicações com anfetamina é praticamente o dobro. 6,4% entre jovens de 15 a 16 anos e 6,8% entre jovens de 17 e 18. No estudo, estes medicamentos apareceram como a terceira droga ilícita mais usada pelos jovens.

Efeitos colaterais do abuso

Jovens que abusam destas substâncias em busca de estímulos correm riscos de sérios efeitos colaterais, incluindo pressão alta, taquicardia ou disritmia, dificuldade de respirar, convulsões e tremores, além do desenvolvimento de transtornos do humor. Em graus elevados e por um período extenso de tempo, podem sofrer infartos, alucinações, paranoia e confusão mental.

A National Survey on Drug Use and Health mostrou que jovens que abusam destes remédios têm duas vezes mais chances de se engajarem em comportamento ilegal. Quando álcool é inserido nesta perigosa fórmula, os efeitos podem sair do controle.4

Como identificar o abuso de substâncias

Alguns sintomas tornam o abuso perceptível, como mudanças comportamentais, problemas na escola, mudança nas amizades, longos períodos sem dormir ou comer, isolamento, problemas com a lei, dinheiro sumindo de casa, entre outros.

Caso você note alguma mudança em seu filho, não o julgue. Converse sobre o que ele está sentindo, entre em contato com seu médico, peça exames para se certificar do abuso. Construa um plano de ação com o médico ou terapeuta.

Como evitar o abuso

A maneira mais eficaz de evitar abusos é a mais simples: controlar o acesso às medicações. Guardar remédios ao alcance dos jovens é um erro comum das famílias. Apenas os pais ou responsáveis devem ter acesso aos comprimidos. Eles devem controlar as quantidades diárias para ter certeza de que não há abuso.

Se você já faz isso, pode ser necessário conversar com parentes ou alertar a diretoria da escola, caso seu filho consiga as medicações no ambiente escolar.

Fontes:

1 ATTENTION-DEFICIT / HYPERACTIVITY DISORDER (ADHD). CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Disponível em: https://www.cdc.gov/ncbddd/adhd/data.html . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

2 DUPAUL et al., 2008. Double-blind, placebo-controlled, crossover study of the efficacy and safety of lisdexamfetamine dimesylate in college students with ADHD. J Atten Disord. 2012 Apr;16(3):202-20. doi: 10.1177/1087054711427299. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22166471 . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

3 JOHNSTON LD et al., 2009. Monitoring the future national survey results on drug use, 1975-2006, volume 1, secondary school students (NIH Publication No. 08–6418A). Bethesda, Md.: National Institute on Drug Abuse, 2009: 450-453. Disponível em: http://www.monitoringthefuture.org/pubs/monographs/vol1_2006.pdf . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

4. RESULTS FROM THE 2008 NATIONAL SURVEY ON DRUG USE AND HEALTH: NATIONAL FINDINGS. SUBSTANCE ABUSE & MENTAL HEALTH DATA ARCHIVE. Disponível em: http://www.dpft.org/resources/NSDUHresults2008.pdf . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

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