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TDAH e sobrepeso: qual a relação?

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Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e sobrepeso são duas questões que comumente andam acompanhadas.

Décadas de pesquisa mostram que o desenvolvimento da obesidade, em indivíduos com TDAH, é significativamente maior do que em alguém sem o transtorno.1 e 2

Química cerebral, fraco controle de impulsividade e hábitos de sono ruins conspiram para uma alimentação equivocada – e perder peso se torna uma missão complicada.

Nas meninas, a questão é ainda mais delicada. Uma pesquisa da Mayo Clinic3 concluiu que garotas com TDAH têm duas vezes mais probabilidade de serem obesas. O que agrava a situação é o aumento da chance de distúrbios alimentares surgirem, como comenta o autor do estudo, o pediatra Seema Kumar.4

Se seu filho usa medicação em seu tratamento, é importante dizer que os remédios podem levar ao aumento de peso indiretamente. Explicaremos esta questão logo abaixo.

Ainda, é senso comum que bons hábitos alimentares exigem controle de impulsividade, algo prejudicado nos pacientes. Portanto, o mero diagnóstico do transtorno já é fator suficiente para cuidar da alimentação com cautela.

O que a medicação pode fazer na química cerebral?

Os remédios mais utilizados para o tratamento de TDAH não geram ganho de peso diretamente. Na realidade, eles têm o efeito oposto.

Remédios estimulantes, como metilfenidato e anfetamina/dextroanfetamina, tiram a fome e fazem o corpo gastar calorias de forma ainda mais rápida. Alguns deles, inclusive, são usados justamente em tratamentos para perda de peso ou compulsão alimentar.5

Mas então, o que ocorre?

Os efeitos destas medicações duram por poucas horas. Uma vez que o efeito dos estimulantes acaba, o apetite pode voltar de forma bastante intensa. Isso sim pode levar ao aumento de peso. Algumas pessoas com TDAH também têm quadros depressivos e tomam remédios específicos, que podem levar ao ganho de peso.

Há mais causas para o sobrepeso em indivíduos com TDAH.

A conexão da dopamina

Este químico cerebral pode ser um pouco culpado pela balança. A dopamina faz parte do sistema de recompensa. Ela é a “sensação boa”, que nos faz satisfeitos após comermos um bolo ou um chocolate.

Pessoas com TDAH têm níveis mais baixos de dopamina. Os remédios estimulantes usados no tratamento do transtorno aumentam estes níveis. Já que comidas com alto açúcar – como biscoitos, doces e batatas – disparam altos níveis de dopamina, a chance de engordar é ainda maior.5

Hábitos alimentares

Muitos sintomas do TDAH, como vimos, impactam os hábitos alimentares. Planeje as listas de supermercado e as refeições familiares com antecedência e se atenha a elas. Caso surjam os típicos imprevistos das famílias com crianças com TDAH, você já terá seu plano adiantado.

Três sintomas do TDAH influenciam os hábitos alimentares ainda mais:

– falta de atenção pode impedir a pessoa de perceber que está saciada;

– estresse leva a comer por questões emocionais;

– monotonia também motiva o hábito do “comer para passar o tempo”.

Fique de olho nestes fatores com relação ao seu filho. Perceba se ele está descarregando sintomas do TDAH na comida e encoraje-o a encontrar formas mais saudáveis de dissipar a energia.

Lembre-se: seu filho não está fadado ao sobrepeso. Mas, ele precisa ter uma compreensão elevada sobre o impacto do transtorno no consumo alimentar, nos exercícios físicos e na saúde em geral.

Se a hiperatividade for o problema principal, aposte nos exercícios. Caminhadas, bicicleta, yoga, artes marciais, dançar na sala de casa. Se o jovem fica entediado com frequência, não imponha tempos de exercício inicialmente. Uma rotina com sessões de 10 a 15min poderá ajudar muito neste caso.

Mantenha em mente a importância do sono. Uma boa noite de sono é crítica para manter o cérebro funcionando apropriadamente. O sono também regula hormônios e, assim, controla o estresse e a alimentação excessiva por motivos emocionais.6

Por fim, seja um modelo. Não adianta contar as calorias do seu filho se você come constantemente e impulsivamente. Filhos aprendem através de exemplos. Não leve seu celular para a mesa. Engaje-se em atividades físicas também. Estimule boas conversas à mesa. Cozinhe com prazer e mostre uma boa relação com os alimentos.

FONTES

1 FLIERS E et al., 2013. ADHD is a risk factor for overweight and obesity in children. J Dev Behav Pediatr. Published in final edited form as: J Dev Behav Pediatr. 2013 Oct; 34(8): 10.1097/DBP.0b013e3182a50a67. doi: 10.1097/DBP.0b013e3182a50a67. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3859965/ . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

2 PAGOTO S E et al., 2009. Association Between Adult Attention Deficit/Hyperactivity Disorder and Obesity in the US Population. Obesity (Silver Spring). 2009 Mar; 17(3): 539–544.
Published online 2009 Jan 8. doi: 10.1038/oby.2008.587. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3221303/ . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

3 FLIERS E et al., 2013. Childhood Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder, Sex, and Obesity. Mayo Clinic Proceeding. March 2016 Volume 91, Issue 3, Pages 352–361. doi: https://doi.org/10.1016/j.mayocp.2015.09.017. Disponível em: https://www.mayoclinicproceedings.org/article/S0025-6196(15)00770-3/fulltext . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

4 ADHD MAY BE TIED TO OBESITY RISK FOR GIRLS. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/news/20160204/adhd-tied-to-obesity-risk-for-girls-study-contends#1 . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

5 IS ADHD MEDICATION AFFECTING MY WEIGHT?. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/medication-weight#1 . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

6 IS YOUR ADHD BRAIN HARD-WIRED FOR WEIGHT GAIN?. ADDITUDE. Disponível em: https://www.additudemag.com/adhd-and-obesity-hard-wired-for-weight-gain/#footnote1 . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

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