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Mitos e fatos: o que a American Academy of Pediatrics quer que você saiba sobre o TDAH

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Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é a condição desenvolvimental-comportamental mais diagnosticada nos Estados Unidos.

O transtorno afeta aproximadamente de 6% a 9% das crianças em idade escolar. É uma condição crônica, cujos sintomas persistem em 60% a 80% dos adolescentes.

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é a mais pesquisada das desordens comportamentais infantis. São mais de 1.000 artigos científicos publicados anualmente.

Mesmo assim, há grandes controvérsias na mídia e entre o público em geral sobre a natureza do TDAH e sobre os melhores tratamentos. Livros e websites sobre o tema se disseminam nas prateleiras e na internet.

Esta quantidade de informação, muitas vezes desencontrada, pode gerar grande confusão nos pais – e as crianças acabam sendo as mais prejudicadas.

Por isso, trazemos algumas informações oficiais da American Academy of Pediatrics, extraídas da obra “ADHD What Every Parent Needs to Know” (TDAH: o que todos os pais precisam saber).

Esperamos que esta fonte de informação traga alguma base neste universo de incontáveis dados e dicas. Vamos esclarecer aqueles que a American Academy of Pediatrics considera os 10 maiores mitos sobre o TDAH.

Confira abaixo as crenças das pessoas e os fatos sobre o transtorno segundo a instituição:

1 – Existe algum exame capaz de identificar o TDAH com precisão?

Infelizmente, não. Não há um exame laboratorial para testar o TDAH. Em vez disso, você deverá passar por um time de profissionais de saúde e professores, que trabalharão juntos para analisar o funcionamento da criança. Ou seja, observar o quão graves são os sintomas e como afetam o comportamento, o aprendizado, a vida social, a autoestima em casa, na escola e em outras instituições.

Este processo deve ser executado com cautela e seriedade. Vocês precisarão trocar informações, preencher questionários de avaliação de sintomas.

O processo de diagnóstico pode ser complicado pelo fato de que outras condições, como ansiedade, depressão ou desordens comportamentais podem ser muito semelhantes ao TDAH. Mais ainda, estas desordens frequentemente acompanham o TDAH.

2 – É possível uma criança ter TDAH antes da idade escolar?

Muitos pais acreditam que o TDAH é um problema apenas de crianças maiores. Mas, na realidade, os sintomas do transtorno e o diagnóstico podem sim ocorrer antes da entrada da criança na escola.

Contudo, detectar o TDAH nesta fase é mais complexo. Até mesmo médicos têm dificuldade de diferenciar comportamentos típicos desta idade, tão agitada e exploradora, dos sintomas do TDAH.

Um pediatra deverá avaliar a intensidade destes comportamentos para colaborar na construção de um diagnóstico correto. A criança receberá o diagnóstico do TDAH caso os problemas decorrentes interfiram significativamente no desenvolvimento, na autoestima e no funcionamento em geral.

3 – Meu filho é apenas preguiçoso e desmotivado?

Esta conclusão é uma resposta comum ao comportamento de uma criança com TDAH. Se a criança acha quase impossível focar nas aulas, completar uma tarefa como escrever uma redação ou ler um texto, ela pode tentar manter as aparências, agindo como se não tivesse vontade de fazer essas coisas.

Este comportamento pode levar à conclusão de que sim, é falta de motivação, mas isso passa longe da real dificuldade que seu filho pode estar sentindo.

Todas as crianças querem ser bem-sucedidas e receber elogios por seu bom trabalho. Isso é muito importante para elas. Se crianças com TDAH conseguissem executar as tarefas e receber o feedback positivo dos adultos que importam para elas, elas definitivamente seriam tão motivadas quanto qualquer outra criança.

4 – Meu filho é apenas um “sonhador”?

É verdade que todas as crianças são impulsivas, ativas e desatentas ocasionalmente (e, muitas vezes, levam isso ao extremo). Uma criança com TDAH, no entanto, é mais do que uma mera “sonhadora”, que se perde em seus próprios pensamentos.

A hiperatividade destas crianças se torna uma incapacidade funcional real no cotidiano. Ou seja, ela não consegue executar as tarefas da escola, se adequar às rotinas da família ou às regras da casa. Também, não consegue manter amizades e interagir de forma positiva com membros da família. Por último, os machucados e acidentes acontecem com muito mais frequência. São justamente estas questões que os médicos observam ao analisar o diagnóstico do transtorno.

5 – O tratamento para o TDAH curará meu filho?

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é uma condição crônica que dificilmente desaparece. Pelo contrário, a tendência majoritária é que prossiga ao longo dos anos.

Muitos adolescentes mais velhos e adultos se tornam capazes de organizar suas vidas e de usar técnicas que permitem abdicar do tratamento medicamentoso. Apesar disso, um número significativo continua diversas formas de tratamento e de apoio durante a vida.

O verdadeiro objetivo não é começar ou concluir um tratamento, mas sim encontrar o tratamento mais eficiente na promoção de um funcionamento adequado para cada fase da vida. Esta é a meta real.

6 – O número de crianças com TDAH está crescendo?

É grande a quantidade de pessoas que acredita que houve uma explosão de casos de TDAH no mundo. É natural pensar desta forma, já que o acesso à informação sobre o transtorno cresceu bastante.

Contudo, não existe evidência científica que aponte para isso. O número de casos de TDAH permanece estável ao longo dos anos, mas o número de diagnósticos aumentou. Isso ocorre porque mais médicos estão adquirindo conhecimento sobre os sintomas. Além disso, os critérios para diagnosticar o transtorno mudaram.

7 – Meu filho foca em jogos eletrônicos por horas. Se ele consegue focar no jogo, não pode ter TDAH, certo?

Nem tanto. Em grande parte, o TDAH gera sim problemas para tarefas que duram longos períodos de tempo, mas não tanto para atividades que são altamente colaborativas, participativas ou estimulantes.

Portanto, a escola pode ser altamente desafiadora para uma criança ou jovem com TDAH, porque a estrutura típica de ensino, comparada a um jogo eletrônico, é muito mais monótona em termos visuais, auditivos e cinéticos.

As tarefas escolares são demoradas e exigem complexa organização do pensamento por muito tempo. Ainda, a rotina diária escolar pode ser menos estruturada e previsível do que a necessária para uma criança com TDAH.

Inclusive, a maioria das crianças é diagnosticada com o transtorno durante a fase escolar justamente porque as tarefas e demandas podem ser difíceis demais para elas.

Os desafios que estas crianças sofrem na escola podem gerar uma percepção equivocada: de que o problema é a escola. Certamente, esta possibilidade deve ser considerada, mas é mais provável que questões ocorram porque a criança não consegue lidar com as exigências.

Outras situações que podem ser problemáticas para crianças com TDAH incluem interações sociais, mudanças repentinas de humor e de ambientes sociais, esportes com alto grau de concentração e atividades extracurriculares em que elas precisam ficar sentadas, escutar com atenção ou aguardar por um período de tempo extenso.

8 – Foi a falta de limites que fez meu filho ter TDAH?

Definitivamente, não. O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade não é resultado de falta de disciplina – apesar de que alguns comportamentos peçam dos pais um grau elevado de conhecimento sobre práticas pedagógicas eficientes.

O que a falta de imposição de limites e outras práticas ineficazes podem fazer é agravar os sintomas, mas não gerar o transtorno.

9 – Meu filho não recebeu o diagnóstico. Posso seguir em frente?

O TDAH é diagnosticado através de diversos processos contínuos. Isso significa que a criança pode manifestar um número de comportamentos típicos do TDAH, mas não ao ponto de ser diagnosticada com o transtorno.

Porém, isso não quer dizer que ela não precise de ajuda especializada para lidar com estes sintomas. A família deve buscar um pediatra para aconselhamento, bem como informações sobre o desenvolvimento de determinados comportamentos. Os pais devem dominar ferramentas de gestão do comportamento e da disciplina.

A escola deverá entrar em jogo, oferecendo recomendações e até mesmo intervindo em questões relacionadas à vida social da criança ou do jovem. Os pais deverão, por fim, acompanhar as tarefas de casa de perto, criando sistemas eficientes de organização, planejamento e execução para que o jovem consiga encontrar autonomia em seu cotidiano.

10 – Crianças com TDAH podem superar o transtorno?

Pais e até mesmo médicos costumavam acreditar que, quando a criança com TDAH entrasse na adolescência e passasse para a vida adulta, o transtorno não seria mais um problema. Mas, alguns aspectos do TDAH podem persistir ao longo da vida toda para uma média de 85% dos indivíduos.

Alguns adultos se beneficiam do uso de medicamentos por muitos anos. Outros demonstram melhoria suficiente para abandonarem a medicação. Isso dependerá, também, da profissão que escolheram, dos relacionamentos que formaram e de suas atividades sociais.

Independentemente das circunstâncias, os adultos são e serão capazes de ajustarem seus ambientes e estruturas para que estes se tornem verdadeiros aliados – fortalecendo dificuldades e criando vidas adultas produtivas, mesmo com os sintomas do transtorno.

Questões finais: o passado e o presente do TDAH

Há mais de um século, os médicos estão cientes sobre comportamentos infantis hoje conhecidos como o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH).

Em 1902, o pediatra britânico George Still documentou, pela primeira vez, uma condição em que as crianças pareciam desatentas, impulsivas e hiperativas, declarando que isso era resultado de questões biológicas e não ambientais.

Pesquisas nos anos 1980 apoiaram esta hipótese, o que levou à criação do termo Transtorno do Déficit de Atenção. Em 1987, em resposta a informações ainda mais precisas, vindas de estudos, o termo Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade foi introduzido.

Hoje, o TDAH é definido pela Associação de Pediatria Norte-Americana como um desenvolvimento inapropriado na atenção e/ou na hiperatividade e impulsividade, tão pervasivo e persistente, que interfere significativamente na vida do indivíduo.

Uma criança com TDAH tem dificuldade de controlar seu comportamento na maioria das situações, incluindo escola e casa. Esta criança pode tentar se manter em constante movimento, recusar aguardar sua vez e derrubar tudo ao seu redor.

Em outros momentos, a criança pode se perder em pensamentos, tornando-se incapaz de prestar atenção ou de finalizar o que começou. Ainda, pode ter problemas de aprendizado e de memória.

Sua natureza impulsiva pode colocá-la em perigo físico real. Como a criança tem dificuldade em controlar seu comportamento, ela pode ser categorizada como malcriada.

Estes problemas geralmente começam cedo (antes dos sete anos), mas podem ser identificados muito tempo depois. Contudo, se não houver qualquer tipo de identificação de sintomas de TDAH antes dos sete anos, a família deve buscar por explicações alternativas para o comportamento atual.

FONTES

REIFF, M. ADHD: WHAT EVERY PARENT NEEDS TO KNOW. 2. Ed. Itasca, Estados Unidos: American Academy of Pediatrics, 1994. p.19-42.

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