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Riscos de TDAH sem tratamento

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É grande a quantidade de pesquisas relacionadas ao déficit de atenção, à hiperatividade e ao Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) – o transtorno neurocomportamental mais diagnosticado nos EUA.1

Um dos mais recentes estudos veio da reconhecida Clínica Mayo, em Minnesota, que concluiu que meninas com TDAH na infância tinham o dobro de riscos de se tornarem obesas em comparação com meninas sem o transtorno.2 Outra pesquisa apontou que há um crescimento do TDAH entre hispânicos, especialmente nas meninas.3

A primeira pesquisa norte-americana em âmbito nacional foi publicada em 2015 e mostra que quase metade das crianças com TDAH em idade pré-escolar recebem tratamento medicamentoso para o transtorno.4

Enquanto o TDAH é um tema muito popular entre os pesquisadores e a comunidade médica, muitos pais e professores seguem sem compreender o transtorno e como ele afeta a vida dos jovens. Muitos ainda acreditam que se trata apenas de incapacidade de parar quieto ou de focar.

É esta crença que precisamos desmistificar.

Se você acha que seu filho tem TDAH, mas não foi diagnosticado, busque uma opinião médica confiável. Se seu filho foi diagnosticado, é importante prosseguir com o tratamento.

Uma criança sem tratamento pode ter grande dificuldade de prestar atenção na escola, o que implica que não aprenderá o que está sendo ensinado.

Crianças com TDAH têm dificuldade de controlar suas emoções. Isso impacta na vida social diretamente. Eles podem não conseguir compartilhar brinquedos, alternar a vez de jogar, brincar com os outros ou reagir de forma inadequada em uma infinidade de situações.

Sem tratamento, eles terão problemas para fazer e manter amigos, o que pode levar à baixa autoestima e até mesmo à depressão.5

Crianças com TDAH sem tratamento também podem ser mais impulsivas, então, a chance de se machucarem aumenta muito. Algumas pesquisas mostram que a falta de tratamento as leva com mais frequência ao pronto-socorro.6

Quando as pessoas estão considerando se prosseguem ou não com o tratamento para o transtorno, diz o psicólogo Ari Tuckman, “elas geramente focam nos efeitos colaterais, mas ignoram os benefícios potenciais. Em outras palavras, elas ignoram os riscos e os efeitos de não tratarem o TDAH”.7

Em muitos casos, os riscos de não obter o tratamento adequado têm efeitos mais graves do que aqueles que medicamentos estimulantes podem gerar (perda de apetite, aumento da pressão sanguínea entre outros), explica Tuckman, que é autor da obra “More Attention, Less Deficit: Success Strategies for Adults with ADHD”.

Para crianças, diz ele, a falta de tratamento traz todos os riscos que mantêm os pais preocupados. “Performance insuficiente na escola, problemas na vida social, abuso de substâncias, acidentes de carro, chance reduzida de prosseguir os estudos até a universidade. No caso dos adultos, a falta de tratamento também afeta o trabalho e a renda, a satisfação no casamento e a chance de divórcio.”

Isso ocorre porque crianças sem tratamento não aprendem a controlar a impulsividade, a regular emoções e a desenvolver habilidades sociais.

Então, quando adultos, eles não conseguem acompanhar. Crianças que receberam o tratamento podem se acalmar e focar o suficiente para participar da terapia, aprendendo capacidades críticas e estratégias de gerenciamento para administrar o TDAH na vida adulta.

Medico ou não medico?

Claro, os pais não hesitam sobre o tratamento em si, mas sim sobre o uso dos medicamentos. Para estas famílias, é necessário fazer uma análise entre riscos e benefícios.

Quando você for definir riscos, concentre-se no cenário mais amplo. Não foque apenas nos efeitos colaterais do remédio – toda e qualquer pílula tem efeitos colaterais, até mesmo um paracetamol.

Nesta hora, você precisa ponderar sobre todos os riscos – isso inclui respirar fundo e pensar sobre o que pode acontecer se você não medicar seu filho. Considere as implicações potenciais da falta de atenção, impulsividade e hiperatividade em longo prazo – seja na escola, na faculdade, no trabalho.

Pense como isso pode afetar a satisfação e a autoestima do seu filho, sua vida familiar, casamento, capacidade de dirigir entre tantas outras questões mencionadas aqui.

E tome sua melhor decisão.

FONTES

1 STUDY SHOWS ASSOCIATION AMONG CHILDHOOD ADHD, SEX AND OBESITY. MAYO CLINIC. Disponível em: https://www.washingtonpost.com/news/answer-sheet/wp/2016/02/07/adhd-in-kids-what-many-parents-and-teachers-dont-understand-but-need-to-know/?utm_term=.48e454861bdd . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

2 ADHD IN KIDS: WHAT MANY PARENTS AND TEACHERS DON’T UNDERSTAND BUT NEED TO KNOW. WASHINGTON POST. Disponível em: https://newsnetwork.mayoclinic.org/discussion/study-shows-association-among-childhood-adhd-sex-and-obesity/ . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

3 COLLINS KP et al., 2016. Racial and ethnic disparities in parent-reported diagnosis of ADHD: National Survey of Children’s Health (2003, 2007, and 2011). J Clin Psychiatry. 2016 Jan;77(1):52-9. doi: 10.4088/JCP.14m09364. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26761486 . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

4 TREATMENT OF ATTENTION DEFICIT/HYPERACTIVITY DISORDER AMONG CHILDREN WITH SPECIAL HEALTH CARE NEEDS. THE JOURNAL OF PEDIATRICS. Disponível em: http://www.jpeds.com/pb/assets/raw/Health%20Advance/journals/ympd/Visser.pdf . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

5 RISKS OF UNTREATED ADHD. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/risks-of-untreated-adhd#1 . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

6 HODGKINS P et al., 2011. Risk of Injury Associated With Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder in Adults Enrolled in Employer-Sponsored Health Plans: A Retrospective Analysis. Prim Care Companion CNS Disord. 2011; 13(2): PCC.10m01031. doi: 10.4088/PCC.10m01031. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3184594/ . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

7 CHILDREN WHO DON’T GET ADHD TREATMENT CAN HAVE PROBLEMS INTO ADULTHOOD. HEALTHLINE. Disponível em: https://www.healthline.com/health-news/children-who-dont-get-adhd-treatment-can-have-long-lasting-problems-into-adulthood-051215#2 . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

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