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Diagnóstico TDAH: condições que mimetizam o TDAH

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O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) pode ser mais comum do que você pensa. De acordo com as estatísticas mais recentes1, uma a cada dez crianças, entre 04 e 17 anos, é diagnosticada com o transtorno.

Então, não é surpreendente que, assim que os pais percebam que o filho é mais ativo ou impulsivo, pensem no TDAH como possível explicação.

Mas, o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade não é o único problema que pode gerar dificuldades de concentração, comportamento ou performance escolar. Aliás, existem muitas questões que podem mimetizar o TDAH.

Por isso, é extremamente importante que avaliações cuidadosas sejam feitas antes de entregar o diagnóstico final.

Não existem exames de sangue ou ressonância magnética capaz de apontar o TDAH. Como existem muitas desordens com os mesmos sintomas, é fundamental que o médico investigue todas as possibilidades antes de chegar à conclusão.

Os médicos de Harvard2 nos apontam algumas questões que devemos levar em conta na busca pelo diagnóstico. Vamos ver o que você e o médico do seu filho devem investigar.

1. Problemas de audição:

Se a criança não consegue escutar direito, terá problemas de atenção. Atualmente, os recém-nascidos fazem o Teste da Orelhinha antes de saírem do hospital. Assim, conseguimos identificar estes casos com mais facilidade.

Mas, alguns casos passam desapercebidos. Também, algumas crianças desenvolvem problemas depois, por causa de infecções no ouvido. Então, certifique-se de testar a audição se estiver buscando por um diagnóstico preciso.

2. Problemas cognitivos ou de aprendizado:

Se as crianças não entendem o que está sendo explicado ou o que está acontecendo ao redor, é difícil focar ou se engajar na aula. Isso também pode impactar interações sociais – que são rápidas, complexas e cheias de modulações.

Se a criança estiver apresentando baixo rendimento escolar, você deve buscar uma avaliação e um auxílio. Converse com o pediatra e com a coordenação da instituição de ensino. Discuta com eles o que pode fazer.

3. Problemas de sono:

Crianças que não dormem o suficiente, ou cujo sono é de má qualidade, podem sim apresentar problemas de aprendizado e de comportamento. Dormir insuficientemente também pode gerar dificuldade para se concentrar, se comunicar e obedecer direções. Ainda, pode reduzir a memória de curto prazo.3

Portanto, qualquer criança que boceje com frequência e que apresente outras características que indiquem sono deve ser levada ao médico, especialmente para avaliar se há pausas na respiração (apneia) ou engasgos durante a noite.

Os pais de adolescentes precisam se certificar de que os filhos estão dormindo, no mínimo, 8h por noite – fique de olho no uso de computadores e celulares.

4. Depressão ou ansiedade:

É difícil se concentrar quando se está triste ou preocupado. O que é mais preocupante é que, geralmente, tanto depressão quanto ansiedade não são diagnosticados e, portanto, não recebem tratamento adequado.

Como parte do processo de diagnóstico, seu filho deve ser avaliado para estas e outras doenças mentais, não apenas porque mimetizam o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, mas porque elas podem acontecer ao mesmo tempo que o TDAH.

5. Uso de substâncias químicas:

No caso de adolescentes, esta possibilidade precisa ser considerada. Especialmente, se os sintomas do TDAH não se manifestaram na infância.

Por definição, para ser diagnosticado, seu filho precisa ter manifestado os sintomas do transtorno antes dos 12 anos.

Claro, ninguém quer acreditar que o filho está usando drogas ou álcool, mas a verdade é que, até o final do Ensino Médio, metade dos jovens já experimentaram alguma droga ilícita pelo menos uma vez. Isso pode se repetir ou até se tornar um hábito. Fique atento.

Crianças sendo crianças

Algumas crianças diagnosticadas com TDAH não sofrem de condições médicas quaisquer. Elas são simplesmente agitadas ou entediadas com facilidade.

De acordo com uma pesquisa publicada no Canadian Medical Association Journal4, a idade da criança pode impactar na percepção do professor sobre um possível transtorno. Explicamos: se seu filho é mais novo do que a turma em que estuda, o professor pode confundir a imaturidade natural com o TDAH.

Ainda, crianças que apresentam um nível de inteligência superior ao dos colegas pode ficar facilmente entediada em sala de aula. Verifique se seu filho está na série adequada enquanto estiver realizando o diagnóstico.3

FONTES

1 ATTENTION-DEFICIT / HYPERACTIVITY DISORDER (ADHD). CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Disponível em: https://www.cdc.gov/ncbddd/adhd/data.html . Acesso em: 27 de setembro de 2018.

2 FIVE COMMON PROBLEMS THAT CAN MIMIC ADHD. HARVARD HEALTH PUBLISHING. Disponível em: https://www.health.harvard.edu/blog/5-common-problems-that-can-mimic-adhd-2018010913065 . Acesso em: 27 de setembro de 2018.

3 MISDIAGNOSIS: CONDITIONS THAT MIMIC ADHD. HEALTHLINE. Disponível em: https://www.healthline.com/health/adhd/adhd-misdiagnosis#sleep-disorders . Acesso em: 27 de setembro de 2018.

4 MORROW R et al., 2012. Influence of relative age on diagnosis and treatment of attention-deficit/hyperactivity disorder in children. CMAJ. 2012 Apr 17; 184(7): 755–762. doi: 10.1503/cmaj.111619. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3328520/ . Acesso em: 27 de setembro de 2018.

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