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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

TDAH No Ambiente De Trabalho: Como Transformar Desafios Em Oportunidades

TDAH no ambiente de trabalho: como transformar desafios em oportunidades

Foco excelente, atenção aos detalhes, velocidade e organização – características que os empregadores buscam nos candidatos às vagas. Bem, não são qualidades exatamente fortes nas pessoas diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH).

Mas, existem estratégias para colaborar com estas questões e alcançar o sucesso profissional. Hoje, vamos dar uma olhada no que o profissional com TDAH irá enfrentar e o que pode fazer para transformar desafios em oportunidades.

Como o TDAH afeta o mundo do trabalho?

Foco e produtividade por longos períodos de tempo pode ser um problema para pessoas com TDAH. Uma pesquisa nos Estados Unidos1 comprovou isso, estimando a dificuldade dos pacientes em manter um trabalho de turno integral. A diferença da manutenção da vaga entre pessoas com a sem o transtorno é significativa.

– 50% das pessoas com TDAH conseguem manter o emprego de turno integral;

– 72% das pessoas sem a desordem conseguem manter o emprego de turno integral.

Mas, o mais triste vem agora: pessoas com TDAH, mesmo capazes de prosseguir no trabalho, ganham menos do que seus colegas. A pesquisa avaliou que, todos os anos, 77 bilhões de dólares deixam de ser entregues aos funcionários com TDAH.

Este não precisa ser o seu caso. Como o TDAH afetará o seu trabalho depende da gravidade da sua condição e da sua capacidade de administrar as situações.

Algumas pessoas podem apenas sentir dificuldades de se manter por muito tempo em uma mesma tarefa. Já outros, não conseguem passar o dia inteiro no escritório sem explodir com o chefe ou um colega. Em casos graves, é comum que haja troca constante de emprego ou se recorra a algum seguro saúde oferecido pelo governo.

Na pele do funcionário

O TDAH afeta a performance profissional de diversas formas. Dificuldade em ficar sentado, desorganização da mesa, considerar reuniões maçantes ou prazos impossíveis, tudo pode afetar a performance do paciente.

O site WebMD2 explica que pessoas diagnosticadas com o transtorno tendem a ter problemas com atenção, memória, processamento mental e fluência verbal. São questões ligadas à Função Executiva, um tópico que sempre abordamos nos textos aqui, do app Focus TDAH.

Mas, nem tudo são sombras neste mundo. A forma com que você lidará com sua desordem é crucial para transformar a maneira com que os outros lidam com você.

Revertendo o jogo

Sempre incentivamos pais a conversarem com as escolas para que, juntamente com professores, desenvolvam estratégias que permitam o máximo potencial das crianças. Pois bem, agora é sua vez de conversar com seu chefe para alcançar o mesmo objetivo.

E o que você dirá? Dará uma aula sobre sua Função Executiva e seus lobos frontais? Não exatamente. Você dominará seus pontos fortes e os métodos mais eficientes de trabalho para que a equipe inteira saia ganhando.

Enquanto o funcionário padrão trará resultados padrão para a empresa, talvez, seja interessante mostrar ao gestor que o funcionário capaz de levar a equipe para outro nível é justamente aquele que enxerga o mundo de outra forma: você.3

Claro, para isso serão necessários alguns ajustes no método de trabalho, como permitir que suas atividades (aquelas que envolvem criatividade), tenham prazos mais extensos. Você também pode pedir que suas demandas sejam mais bem explicadas e, principalmente, passadas por escrito.

Vamos ver três questões que podem e devem ser ajustadas no ambiente de trabalho para que o time extraia o melhor de todos os funcionários. Tente combinar algumas destas mudanças com seu chefe. Comprometa-se com o desafio.

Perceba como muitas destas estratégias já colaboraram com seu TDAH na infância. Elas seguirão funcionando, é tudo questão de adaptação para este novo cenário.

Gerenciamento de tempo: o TDAH é uma desordem que consume muito tempo, explica o Dr. Russell Barkley4, Professor de Psiquiatria e Pediatria na Universidade de Medicina da Carolina do Sul.

Barkley, um dos mais respeitados especialistas em TDAH no mundo, explica que a distração interfere diretamente no tempo para completar tarefas. Para resolver esta situação, os gestores podem acompanhar o trabalho mais de perto ou você pode utilizar lembretes digitais, como apps planejadores de tarefas.

“É muito comum que um paciente de TDAH subestime o tempo necessário para executar uma demanda”, explica Barkley, “ou até mesmo quanto tempo resta até que o prazo se esgote. O tempo é um inimigo do transtorno e, portanto, as ferramentas de gerenciamento são grandes aliadas para pessoas que sofrem da desordem”, esclarece o professor.

Configuração do escritório: como é muito fácil se distrair, escritórios com estas novas configurações amplas, abertas, com poucas paredes, tornam o trabalho ainda mais difícil. Barulhos, estímulos visuais e conversas paralelas podem se tornar grandes problemas.

Tente barganhar um espaço individual para você, mesmo que pequeno, mas que tenha tranquilidade e silêncio.

Dinâmica de equipe: É parte do trabalho do gestor saber compor seu time. Conhecer os pontos fortes e fracos de cada funcionário é um dos fundamentos da liderança. No caso de funcionários com TDAH, “a vontade de conversar e de socializar pode sim tornar o funcionário com o transtorno uma presença sempre desejável por perto”, defende o Dr. Barkley.

Mas, esta característica tem dois lados. “Pessoas com TDAH podem falar demais e perder a noção do comportamento em grupo, dizendo coisas desagradáveis aos sentimentos alheios”, adverte o professor.

Portanto, Dr. Barkley indica aos gestores que reflitam bem na hora de colocar um paciente com TDAH em posições de liderança.

Barkley deixa claro que há exceções, mas, em termos gerais, estes funcionários têm muito mais a contribuir como uma importante peça de um time do que como um gerenciador de pessoas ou tarefas.

Fontes:

1 BIEDERMAN J et al., 2006. Functional impairments in adults with self-reports of diagnosed ADHD: A controlled study of 1001 adults in the community. J Clin Psychiatry. 2006 Apr;67(4):524-40. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16669717 . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

2 ADHD IN THE WORKPLACE. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/adhd-in-the-workplace#2 . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

3 WHAT EMPLOYEES WITH ADHD WANT YOU TO KNOW. FORBES. Disponível em: https://www.forbes.com/sites/denisebrodey/2018/10/04/what-employees-with-adhd-want-you-to-know/#71b1c9043379 . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

4 HOW TO MANAGE EMPLOYEES WITH ADD/ADHD. FORBES. Disponível em: https://www.forbes.com/sites/victorlipman/2012/10/02/how-to-manage-employees-with-addadhd/#26d1ccad78c9 . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

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Filho Adolescente Com TDAH? Fique De Olho No Abuso Dos Remédios

Filho adolescente com TDAH? Fique de olho no abuso dos remédios

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é uma desordem neurodesenvolvimental caracterizada por elevados níveis de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade. O transtorno ocorre em aproximadamente de 3% a 10% das crianças e adolescentes e em 2,5% dos adultos.1

Os tratamentos envolvem abordagens farmacológicas e não farmacológicas, como terapias comportamentais, coaching, terapia cognitivo-comportamental e neurofeedback.

Diversos estudos comprovam a efetividade da prescrição de estimulantes para os sintomas de TDAH em crianças e adultos. Estudos mais recentes reportam que estimulantes geralmente levam a melhorias na autorregulação, planejamento e habilidades organizacionais ligadas à função executiva.2

Porém, como toda medicação, existe um cuidado a ser tomado.

É preciso deixar claro que pessoas que tomam seus remédios como recomendado pelos médicos não correm riscos quaisquer de se tornarem viciadas, como a crença popular pode sugerir.

O que ocorre é que alguns agentes do TDAH, particularmente aqueles com efeitos estimulantes, podem se tornar viciantes quando o paciente abusa das medicações.

Frisamos: quando o paciente abusa das medicações.

Isso ocorre em particular com adolescentes e jovens (sendo que muitos deles sequer possuem prescrições), que abusam dos comprimidos pela sensação de potencialização que os remédios geram quando tomados em excesso ou quando não são necessários, no caso de pessoas que não sofrem do transtorno.

Muitas medicações para o TDAH agem estimulando neurotransmissores no cérebro, como a dopamina e a epinefrina. Ajustar estes neurotransmissores é altamente efetivo em pacientes de TDAH, depressão e ansiedade.

Estimulantes populares incluem o metilfenidato (Ritalina, Concerta, Daytrana), que trabalha potencializando os neurotransmissores. Outros, como o Focalin, utilizam o dexmetilfenidato.

Uma pesquisa monitorou o comportamento de estudantes adolescentes norte-americanos por 33 anos.3 Em 2008, a conclusão foi lançada: 2,9% dos alunos entre 15 e 16 anos abusavam do metilfenidato. 3,4% dos alunos entre 17 e 18% abusavam da mesma substância.

Parece pouco? O número sobe consideravelmente quando falamos de medicações com anfetamina, como Adderall, Dextrostat, Dexedrine e outros remédios que utilizam a dextroanfetamina como princípio ativo.

O abuso de medicações com anfetamina é praticamente o dobro. 6,4% entre jovens de 15 a 16 anos e 6,8% entre jovens de 17 e 18. No estudo, estes medicamentos apareceram como a terceira droga ilícita mais usada pelos jovens.

Efeitos colaterais do abuso

Jovens que abusam destas substâncias em busca de estímulos correm riscos de sérios efeitos colaterais, incluindo pressão alta, taquicardia ou disritmia, dificuldade de respirar, convulsões e tremores, além do desenvolvimento de transtornos do humor. Em graus elevados e por um período extenso de tempo, podem sofrer infartos, alucinações, paranoia e confusão mental.

A National Survey on Drug Use and Health mostrou que jovens que abusam destes remédios têm duas vezes mais chances de se engajarem em comportamento ilegal. Quando álcool é inserido nesta perigosa fórmula, os efeitos podem sair do controle.4

Como identificar o abuso de substâncias

Alguns sintomas tornam o abuso perceptível, como mudanças comportamentais, problemas na escola, mudança nas amizades, longos períodos sem dormir ou comer, isolamento, problemas com a lei, dinheiro sumindo de casa, entre outros.

Caso você note alguma mudança em seu filho, não o julgue. Converse sobre o que ele está sentindo, entre em contato com seu médico, peça exames para se certificar do abuso. Construa um plano de ação com o médico ou terapeuta.

Como evitar o abuso

A maneira mais eficaz de evitar abusos é a mais simples: controlar o acesso às medicações. Guardar remédios ao alcance dos jovens é um erro comum das famílias. Apenas os pais ou responsáveis devem ter acesso aos comprimidos. Eles devem controlar as quantidades diárias para ter certeza de que não há abuso.

Se você já faz isso, pode ser necessário conversar com parentes ou alertar a diretoria da escola, caso seu filho consiga as medicações no ambiente escolar.

Fontes:

1 ATTENTION-DEFICIT / HYPERACTIVITY DISORDER (ADHD). CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Disponível em: https://www.cdc.gov/ncbddd/adhd/data.html . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

2 DUPAUL et al., 2008. Double-blind, placebo-controlled, crossover study of the efficacy and safety of lisdexamfetamine dimesylate in college students with ADHD. J Atten Disord. 2012 Apr;16(3):202-20. doi: 10.1177/1087054711427299. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22166471 . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

3 JOHNSTON LD et al., 2009. Monitoring the future national survey results on drug use, 1975-2006, volume 1, secondary school students (NIH Publication No. 08–6418A). Bethesda, Md.: National Institute on Drug Abuse, 2009: 450-453. Disponível em: http://www.monitoringthefuture.org/pubs/monographs/vol1_2006.pdf . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

4. RESULTS FROM THE 2008 NATIONAL SURVEY ON DRUG USE AND HEALTH: NATIONAL FINDINGS. SUBSTANCE ABUSE & MENTAL HEALTH DATA ARCHIVE. Disponível em: http://www.dpft.org/resources/NSDUHresults2008.pdf . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

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TDAH E Sobrepeso: Qual A Relação?

TDAH e sobrepeso: qual a relação?

Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e sobrepeso são duas questões que comumente andam acompanhadas.

Décadas de pesquisa mostram que o desenvolvimento da obesidade, em indivíduos com TDAH, é significativamente maior do que em alguém sem o transtorno.1 e 2

Química cerebral, fraco controle de impulsividade e hábitos de sono ruins conspiram para uma alimentação equivocada – e perder peso se torna uma missão complicada.

Nas meninas, a questão é ainda mais delicada. Uma pesquisa da Mayo Clinic3 concluiu que garotas com TDAH têm duas vezes mais probabilidade de serem obesas. O que agrava a situação é o aumento da chance de distúrbios alimentares surgirem, como comenta o autor do estudo, o pediatra Seema Kumar.4

Se seu filho usa medicação em seu tratamento, é importante dizer que os remédios podem levar ao aumento de peso indiretamente. Explicaremos esta questão logo abaixo.

Ainda, é senso comum que bons hábitos alimentares exigem controle de impulsividade, algo prejudicado nos pacientes. Portanto, o mero diagnóstico do transtorno já é fator suficiente para cuidar da alimentação com cautela.

O que a medicação pode fazer na química cerebral?

Os remédios mais utilizados para o tratamento de TDAH não geram ganho de peso diretamente. Na realidade, eles têm o efeito oposto.

Remédios estimulantes, como metilfenidato e anfetamina/dextroanfetamina, tiram a fome e fazem o corpo gastar calorias de forma ainda mais rápida. Alguns deles, inclusive, são usados justamente em tratamentos para perda de peso ou compulsão alimentar.5

Mas então, o que ocorre?

Os efeitos destas medicações duram por poucas horas. Uma vez que o efeito dos estimulantes acaba, o apetite pode voltar de forma bastante intensa. Isso sim pode levar ao aumento de peso. Algumas pessoas com TDAH também têm quadros depressivos e tomam remédios específicos, que podem levar ao ganho de peso.

Há mais causas para o sobrepeso em indivíduos com TDAH.

A conexão da dopamina

Este químico cerebral pode ser um pouco culpado pela balança. A dopamina faz parte do sistema de recompensa. Ela é a “sensação boa”, que nos faz satisfeitos após comermos um bolo ou um chocolate.

Pessoas com TDAH têm níveis mais baixos de dopamina. Os remédios estimulantes usados no tratamento do transtorno aumentam estes níveis. Já que comidas com alto açúcar – como biscoitos, doces e batatas – disparam altos níveis de dopamina, a chance de engordar é ainda maior.5

Hábitos alimentares

Muitos sintomas do TDAH, como vimos, impactam os hábitos alimentares. Planeje as listas de supermercado e as refeições familiares com antecedência e se atenha a elas. Caso surjam os típicos imprevistos das famílias com crianças com TDAH, você já terá seu plano adiantado.

Três sintomas do TDAH influenciam os hábitos alimentares ainda mais:

– falta de atenção pode impedir a pessoa de perceber que está saciada;

– estresse leva a comer por questões emocionais;

– monotonia também motiva o hábito do “comer para passar o tempo”.

Fique de olho nestes fatores com relação ao seu filho. Perceba se ele está descarregando sintomas do TDAH na comida e encoraje-o a encontrar formas mais saudáveis de dissipar a energia.

Lembre-se: seu filho não está fadado ao sobrepeso. Mas, ele precisa ter uma compreensão elevada sobre o impacto do transtorno no consumo alimentar, nos exercícios físicos e na saúde em geral.

Se a hiperatividade for o problema principal, aposte nos exercícios. Caminhadas, bicicleta, yoga, artes marciais, dançar na sala de casa. Se o jovem fica entediado com frequência, não imponha tempos de exercício inicialmente. Uma rotina com sessões de 10 a 15min poderá ajudar muito neste caso.

Mantenha em mente a importância do sono. Uma boa noite de sono é crítica para manter o cérebro funcionando apropriadamente. O sono também regula hormônios e, assim, controla o estresse e a alimentação excessiva por motivos emocionais.6

Por fim, seja um modelo. Não adianta contar as calorias do seu filho se você come constantemente e impulsivamente. Filhos aprendem através de exemplos. Não leve seu celular para a mesa. Engaje-se em atividades físicas também. Estimule boas conversas à mesa. Cozinhe com prazer e mostre uma boa relação com os alimentos.

FONTES

1 FLIERS E et al., 2013. ADHD is a risk factor for overweight and obesity in children. J Dev Behav Pediatr. Published in final edited form as: J Dev Behav Pediatr. 2013 Oct; 34(8): 10.1097/DBP.0b013e3182a50a67. doi: 10.1097/DBP.0b013e3182a50a67. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3859965/ . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

2 PAGOTO S E et al., 2009. Association Between Adult Attention Deficit/Hyperactivity Disorder and Obesity in the US Population. Obesity (Silver Spring). 2009 Mar; 17(3): 539–544.
Published online 2009 Jan 8. doi: 10.1038/oby.2008.587. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3221303/ . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

3 FLIERS E et al., 2013. Childhood Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder, Sex, and Obesity. Mayo Clinic Proceeding. March 2016 Volume 91, Issue 3, Pages 352–361. doi: https://doi.org/10.1016/j.mayocp.2015.09.017. Disponível em: https://www.mayoclinicproceedings.org/article/S0025-6196(15)00770-3/fulltext . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

4 ADHD MAY BE TIED TO OBESITY RISK FOR GIRLS. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/news/20160204/adhd-tied-to-obesity-risk-for-girls-study-contends#1 . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

5 IS ADHD MEDICATION AFFECTING MY WEIGHT?. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/medication-weight#1 . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

6 IS YOUR ADHD BRAIN HARD-WIRED FOR WEIGHT GAIN?. ADDITUDE. Disponível em: https://www.additudemag.com/adhd-and-obesity-hard-wired-for-weight-gain/#footnote1 . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

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Mitos E Fatos: O Que A American Academy Of Pediatrics Quer Que Você Saiba Sobre O TDAH

Mitos e fatos: o que a American Academy of Pediatrics quer que você saiba sobre o TDAH

Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é a condição desenvolvimental-comportamental mais diagnosticada nos Estados Unidos.

O transtorno afeta aproximadamente de 6% a 9% das crianças em idade escolar. É uma condição crônica, cujos sintomas persistem em 60% a 80% dos adolescentes.

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é a mais pesquisada das desordens comportamentais infantis. São mais de 1.000 artigos científicos publicados anualmente.

Mesmo assim, há grandes controvérsias na mídia e entre o público em geral sobre a natureza do TDAH e sobre os melhores tratamentos. Livros e websites sobre o tema se disseminam nas prateleiras e na internet.

Esta quantidade de informação, muitas vezes desencontrada, pode gerar grande confusão nos pais – e as crianças acabam sendo as mais prejudicadas.

Por isso, trazemos algumas informações oficiais da American Academy of Pediatrics, extraídas da obra “ADHD What Every Parent Needs to Know” (TDAH: o que todos os pais precisam saber).

Esperamos que esta fonte de informação traga alguma base neste universo de incontáveis dados e dicas. Vamos esclarecer aqueles que a American Academy of Pediatrics considera os 10 maiores mitos sobre o TDAH.

Confira abaixo as crenças das pessoas e os fatos sobre o transtorno segundo a instituição:

1 – Existe algum exame capaz de identificar o TDAH com precisão?

Infelizmente, não. Não há um exame laboratorial para testar o TDAH. Em vez disso, você deverá passar por um time de profissionais de saúde e professores, que trabalharão juntos para analisar o funcionamento da criança. Ou seja, observar o quão graves são os sintomas e como afetam o comportamento, o aprendizado, a vida social, a autoestima em casa, na escola e em outras instituições.

Este processo deve ser executado com cautela e seriedade. Vocês precisarão trocar informações, preencher questionários de avaliação de sintomas.

O processo de diagnóstico pode ser complicado pelo fato de que outras condições, como ansiedade, depressão ou desordens comportamentais podem ser muito semelhantes ao TDAH. Mais ainda, estas desordens frequentemente acompanham o TDAH.

2 – É possível uma criança ter TDAH antes da idade escolar?

Muitos pais acreditam que o TDAH é um problema apenas de crianças maiores. Mas, na realidade, os sintomas do transtorno e o diagnóstico podem sim ocorrer antes da entrada da criança na escola.

Contudo, detectar o TDAH nesta fase é mais complexo. Até mesmo médicos têm dificuldade de diferenciar comportamentos típicos desta idade, tão agitada e exploradora, dos sintomas do TDAH.

Um pediatra deverá avaliar a intensidade destes comportamentos para colaborar na construção de um diagnóstico correto. A criança receberá o diagnóstico do TDAH caso os problemas decorrentes interfiram significativamente no desenvolvimento, na autoestima e no funcionamento em geral.

3 – Meu filho é apenas preguiçoso e desmotivado?

Esta conclusão é uma resposta comum ao comportamento de uma criança com TDAH. Se a criança acha quase impossível focar nas aulas, completar uma tarefa como escrever uma redação ou ler um texto, ela pode tentar manter as aparências, agindo como se não tivesse vontade de fazer essas coisas.

Este comportamento pode levar à conclusão de que sim, é falta de motivação, mas isso passa longe da real dificuldade que seu filho pode estar sentindo.

Todas as crianças querem ser bem-sucedidas e receber elogios por seu bom trabalho. Isso é muito importante para elas. Se crianças com TDAH conseguissem executar as tarefas e receber o feedback positivo dos adultos que importam para elas, elas definitivamente seriam tão motivadas quanto qualquer outra criança.

4 – Meu filho é apenas um “sonhador”?

É verdade que todas as crianças são impulsivas, ativas e desatentas ocasionalmente (e, muitas vezes, levam isso ao extremo). Uma criança com TDAH, no entanto, é mais do que uma mera “sonhadora”, que se perde em seus próprios pensamentos.

A hiperatividade destas crianças se torna uma incapacidade funcional real no cotidiano. Ou seja, ela não consegue executar as tarefas da escola, se adequar às rotinas da família ou às regras da casa. Também, não consegue manter amizades e interagir de forma positiva com membros da família. Por último, os machucados e acidentes acontecem com muito mais frequência. São justamente estas questões que os médicos observam ao analisar o diagnóstico do transtorno.

5 – O tratamento para o TDAH curará meu filho?

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é uma condição crônica que dificilmente desaparece. Pelo contrário, a tendência majoritária é que prossiga ao longo dos anos.

Muitos adolescentes mais velhos e adultos se tornam capazes de organizar suas vidas e de usar técnicas que permitem abdicar do tratamento medicamentoso. Apesar disso, um número significativo continua diversas formas de tratamento e de apoio durante a vida.

O verdadeiro objetivo não é começar ou concluir um tratamento, mas sim encontrar o tratamento mais eficiente na promoção de um funcionamento adequado para cada fase da vida. Esta é a meta real.

6 – O número de crianças com TDAH está crescendo?

É grande a quantidade de pessoas que acredita que houve uma explosão de casos de TDAH no mundo. É natural pensar desta forma, já que o acesso à informação sobre o transtorno cresceu bastante.

Contudo, não existe evidência científica que aponte para isso. O número de casos de TDAH permanece estável ao longo dos anos, mas o número de diagnósticos aumentou. Isso ocorre porque mais médicos estão adquirindo conhecimento sobre os sintomas. Além disso, os critérios para diagnosticar o transtorno mudaram.

7 – Meu filho foca em jogos eletrônicos por horas. Se ele consegue focar no jogo, não pode ter TDAH, certo?

Nem tanto. Em grande parte, o TDAH gera sim problemas para tarefas que duram longos períodos de tempo, mas não tanto para atividades que são altamente colaborativas, participativas ou estimulantes.

Portanto, a escola pode ser altamente desafiadora para uma criança ou jovem com TDAH, porque a estrutura típica de ensino, comparada a um jogo eletrônico, é muito mais monótona em termos visuais, auditivos e cinéticos.

As tarefas escolares são demoradas e exigem complexa organização do pensamento por muito tempo. Ainda, a rotina diária escolar pode ser menos estruturada e previsível do que a necessária para uma criança com TDAH.

Inclusive, a maioria das crianças é diagnosticada com o transtorno durante a fase escolar justamente porque as tarefas e demandas podem ser difíceis demais para elas.

Os desafios que estas crianças sofrem na escola podem gerar uma percepção equivocada: de que o problema é a escola. Certamente, esta possibilidade deve ser considerada, mas é mais provável que questões ocorram porque a criança não consegue lidar com as exigências.

Outras situações que podem ser problemáticas para crianças com TDAH incluem interações sociais, mudanças repentinas de humor e de ambientes sociais, esportes com alto grau de concentração e atividades extracurriculares em que elas precisam ficar sentadas, escutar com atenção ou aguardar por um período de tempo extenso.

8 – Foi a falta de limites que fez meu filho ter TDAH?

Definitivamente, não. O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade não é resultado de falta de disciplina – apesar de que alguns comportamentos peçam dos pais um grau elevado de conhecimento sobre práticas pedagógicas eficientes.

O que a falta de imposição de limites e outras práticas ineficazes podem fazer é agravar os sintomas, mas não gerar o transtorno.

9 – Meu filho não recebeu o diagnóstico. Posso seguir em frente?

O TDAH é diagnosticado através de diversos processos contínuos. Isso significa que a criança pode manifestar um número de comportamentos típicos do TDAH, mas não ao ponto de ser diagnosticada com o transtorno.

Porém, isso não quer dizer que ela não precise de ajuda especializada para lidar com estes sintomas. A família deve buscar um pediatra para aconselhamento, bem como informações sobre o desenvolvimento de determinados comportamentos. Os pais devem dominar ferramentas de gestão do comportamento e da disciplina.

A escola deverá entrar em jogo, oferecendo recomendações e até mesmo intervindo em questões relacionadas à vida social da criança ou do jovem. Os pais deverão, por fim, acompanhar as tarefas de casa de perto, criando sistemas eficientes de organização, planejamento e execução para que o jovem consiga encontrar autonomia em seu cotidiano.

10 – Crianças com TDAH podem superar o transtorno?

Pais e até mesmo médicos costumavam acreditar que, quando a criança com TDAH entrasse na adolescência e passasse para a vida adulta, o transtorno não seria mais um problema. Mas, alguns aspectos do TDAH podem persistir ao longo da vida toda para uma média de 85% dos indivíduos.

Alguns adultos se beneficiam do uso de medicamentos por muitos anos. Outros demonstram melhoria suficiente para abandonarem a medicação. Isso dependerá, também, da profissão que escolheram, dos relacionamentos que formaram e de suas atividades sociais.

Independentemente das circunstâncias, os adultos são e serão capazes de ajustarem seus ambientes e estruturas para que estes se tornem verdadeiros aliados – fortalecendo dificuldades e criando vidas adultas produtivas, mesmo com os sintomas do transtorno.

Questões finais: o passado e o presente do TDAH

Há mais de um século, os médicos estão cientes sobre comportamentos infantis hoje conhecidos como o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH).

Em 1902, o pediatra britânico George Still documentou, pela primeira vez, uma condição em que as crianças pareciam desatentas, impulsivas e hiperativas, declarando que isso era resultado de questões biológicas e não ambientais.

Pesquisas nos anos 1980 apoiaram esta hipótese, o que levou à criação do termo Transtorno do Déficit de Atenção. Em 1987, em resposta a informações ainda mais precisas, vindas de estudos, o termo Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade foi introduzido.

Hoje, o TDAH é definido pela Associação de Pediatria Norte-Americana como um desenvolvimento inapropriado na atenção e/ou na hiperatividade e impulsividade, tão pervasivo e persistente, que interfere significativamente na vida do indivíduo.

Uma criança com TDAH tem dificuldade de controlar seu comportamento na maioria das situações, incluindo escola e casa. Esta criança pode tentar se manter em constante movimento, recusar aguardar sua vez e derrubar tudo ao seu redor.

Em outros momentos, a criança pode se perder em pensamentos, tornando-se incapaz de prestar atenção ou de finalizar o que começou. Ainda, pode ter problemas de aprendizado e de memória.

Sua natureza impulsiva pode colocá-la em perigo físico real. Como a criança tem dificuldade em controlar seu comportamento, ela pode ser categorizada como malcriada.

Estes problemas geralmente começam cedo (antes dos sete anos), mas podem ser identificados muito tempo depois. Contudo, se não houver qualquer tipo de identificação de sintomas de TDAH antes dos sete anos, a família deve buscar por explicações alternativas para o comportamento atual.

FONTES

REIFF, M. ADHD: WHAT EVERY PARENT NEEDS TO KNOW. 2. Ed. Itasca, Estados Unidos: American Academy of Pediatrics, 1994. p.19-42.

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Vídeo comentado: Dra. Maria Conceição do Rosário

Psiquiatra, possui mestrado em Medicina pela Universidade de São Paulo, doutorado em ciências pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado em pesquisa em psiquiatria da infância e adolescência pela Universidade de Yale. Atualmente é professora adjunta da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e professora associada do Child Study Center da Universidade de Yale. Coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência (UPIA) e Coordenadora do Curso de Especialização em Saúde Mental da Infância e Adolescência (CESMIA). Neste vídeo a Dra fala sobre os dead’s lines e a importância de se iniciar logo o tratamento de TDAH.

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Riscos De TDAH Sem Tratamento

Riscos de TDAH sem tratamento

É grande a quantidade de pesquisas relacionadas ao déficit de atenção, à hiperatividade e ao Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) – o transtorno neurocomportamental mais diagnosticado nos EUA.1

Um dos mais recentes estudos veio da reconhecida Clínica Mayo, em Minnesota, que concluiu que meninas com TDAH na infância tinham o dobro de riscos de se tornarem obesas em comparação com meninas sem o transtorno.2 Outra pesquisa apontou que há um crescimento do TDAH entre hispânicos, especialmente nas meninas.3

A primeira pesquisa norte-americana em âmbito nacional foi publicada em 2015 e mostra que quase metade das crianças com TDAH em idade pré-escolar recebem tratamento medicamentoso para o transtorno.4

Enquanto o TDAH é um tema muito popular entre os pesquisadores e a comunidade médica, muitos pais e professores seguem sem compreender o transtorno e como ele afeta a vida dos jovens. Muitos ainda acreditam que se trata apenas de incapacidade de parar quieto ou de focar.

É esta crença que precisamos desmistificar.

Se você acha que seu filho tem TDAH, mas não foi diagnosticado, busque uma opinião médica confiável. Se seu filho foi diagnosticado, é importante prosseguir com o tratamento.

Uma criança sem tratamento pode ter grande dificuldade de prestar atenção na escola, o que implica que não aprenderá o que está sendo ensinado.

Crianças com TDAH têm dificuldade de controlar suas emoções. Isso impacta na vida social diretamente. Eles podem não conseguir compartilhar brinquedos, alternar a vez de jogar, brincar com os outros ou reagir de forma inadequada em uma infinidade de situações.

Sem tratamento, eles terão problemas para fazer e manter amigos, o que pode levar à baixa autoestima e até mesmo à depressão.5

Crianças com TDAH sem tratamento também podem ser mais impulsivas, então, a chance de se machucarem aumenta muito. Algumas pesquisas mostram que a falta de tratamento as leva com mais frequência ao pronto-socorro.6

Quando as pessoas estão considerando se prosseguem ou não com o tratamento para o transtorno, diz o psicólogo Ari Tuckman, “elas geramente focam nos efeitos colaterais, mas ignoram os benefícios potenciais. Em outras palavras, elas ignoram os riscos e os efeitos de não tratarem o TDAH”.7

Em muitos casos, os riscos de não obter o tratamento adequado têm efeitos mais graves do que aqueles que medicamentos estimulantes podem gerar (perda de apetite, aumento da pressão sanguínea entre outros), explica Tuckman, que é autor da obra “More Attention, Less Deficit: Success Strategies for Adults with ADHD”.

Para crianças, diz ele, a falta de tratamento traz todos os riscos que mantêm os pais preocupados. “Performance insuficiente na escola, problemas na vida social, abuso de substâncias, acidentes de carro, chance reduzida de prosseguir os estudos até a universidade. No caso dos adultos, a falta de tratamento também afeta o trabalho e a renda, a satisfação no casamento e a chance de divórcio.”

Isso ocorre porque crianças sem tratamento não aprendem a controlar a impulsividade, a regular emoções e a desenvolver habilidades sociais.

Então, quando adultos, eles não conseguem acompanhar. Crianças que receberam o tratamento podem se acalmar e focar o suficiente para participar da terapia, aprendendo capacidades críticas e estratégias de gerenciamento para administrar o TDAH na vida adulta.

Medico ou não medico?

Claro, os pais não hesitam sobre o tratamento em si, mas sim sobre o uso dos medicamentos. Para estas famílias, é necessário fazer uma análise entre riscos e benefícios.

Quando você for definir riscos, concentre-se no cenário mais amplo. Não foque apenas nos efeitos colaterais do remédio – toda e qualquer pílula tem efeitos colaterais, até mesmo um paracetamol.

Nesta hora, você precisa ponderar sobre todos os riscos – isso inclui respirar fundo e pensar sobre o que pode acontecer se você não medicar seu filho. Considere as implicações potenciais da falta de atenção, impulsividade e hiperatividade em longo prazo – seja na escola, na faculdade, no trabalho.

Pense como isso pode afetar a satisfação e a autoestima do seu filho, sua vida familiar, casamento, capacidade de dirigir entre tantas outras questões mencionadas aqui.

E tome sua melhor decisão.

FONTES

1 STUDY SHOWS ASSOCIATION AMONG CHILDHOOD ADHD, SEX AND OBESITY. MAYO CLINIC. Disponível em: https://www.washingtonpost.com/news/answer-sheet/wp/2016/02/07/adhd-in-kids-what-many-parents-and-teachers-dont-understand-but-need-to-know/?utm_term=.48e454861bdd . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

2 ADHD IN KIDS: WHAT MANY PARENTS AND TEACHERS DON’T UNDERSTAND BUT NEED TO KNOW. WASHINGTON POST. Disponível em: https://newsnetwork.mayoclinic.org/discussion/study-shows-association-among-childhood-adhd-sex-and-obesity/ . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

3 COLLINS KP et al., 2016. Racial and ethnic disparities in parent-reported diagnosis of ADHD: National Survey of Children’s Health (2003, 2007, and 2011). J Clin Psychiatry. 2016 Jan;77(1):52-9. doi: 10.4088/JCP.14m09364. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26761486 . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

4 TREATMENT OF ATTENTION DEFICIT/HYPERACTIVITY DISORDER AMONG CHILDREN WITH SPECIAL HEALTH CARE NEEDS. THE JOURNAL OF PEDIATRICS. Disponível em: http://www.jpeds.com/pb/assets/raw/Health%20Advance/journals/ympd/Visser.pdf . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

5 RISKS OF UNTREATED ADHD. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/risks-of-untreated-adhd#1 . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

6 HODGKINS P et al., 2011. Risk of Injury Associated With Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder in Adults Enrolled in Employer-Sponsored Health Plans: A Retrospective Analysis. Prim Care Companion CNS Disord. 2011; 13(2): PCC.10m01031. doi: 10.4088/PCC.10m01031. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3184594/ . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

7 CHILDREN WHO DON’T GET ADHD TREATMENT CAN HAVE PROBLEMS INTO ADULTHOOD. HEALTHLINE. Disponível em: https://www.healthline.com/health-news/children-who-dont-get-adhd-treatment-can-have-long-lasting-problems-into-adulthood-051215#2 . Acesso em: 25 de setembro de 2018.

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Suicídio E TDAH: Hora De Falarmos Seriamente Sobre Os Riscos

Suicídio e TDAH: hora de falarmos seriamente sobre os riscos

Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é o transtorno mais diagnosticado em crianças com menos de 12 anos que cometem suicídio, concluiu uma recente pesquisa.1

Poucas crianças com idade entre cinco e onze anos tentaram tirar suas próprias vidas, então, há poucos estudos sobre esta faixa etária. A pesquisa, publicada na revista Pediatrics, tentou investigar este grupo, comparando-o aos índices de suicídio na pré-adolescência.

Para tanto, foram analisadas mortes em 17 estados norte-americanos, de 2003 a 2012. Os pesquisadores compararam 87 crianças entre 5 e 11 anos com 606 pré-adolescentes entre 12 e 14 anos.

Cerca de um terço dos indivíduos em cada grupo possuíam um distúrbio mental conhecido. As crianças tinham mais propensão a ter diagnóstico de TDAH, acompanhado ou não de hiperatividade. Diferentemente, quase dois terços dos adolescentes que tiraram suas vidas lutavam contra depressão e distimia.

“A principal mensagem do estudo é que as circunstâncias que precedem o suicídio em crianças são, em termos gerais, similares às vividas por pré-adolescentes, com algumas exceções que recaem sobre questões de desenvolvimento”, disse a autora do estudo, Arielle H. Sheftall, Ph.D, do Nationwide Children’s Hospital, em Columbus, no estado de Ohio.2

“Por exemplo, crianças que morreram por suicídio tinham mais problemas com familiares e amigos e, aquelas que tinham desordens mentais, eram mais frequentemente diagnosticadas com TDAH. Por outro lado, os adolescentes que cometeram suicídio tinham mais problemas com namorados ou namoradas e eram mais diagnosticados com depressão ou distimia”, acrescentou Sheftall.

Os pesquisadores do estudo dizem que ainda é preciso estabelecer uma relação entre TDAH como uma causa para suicídio em crianças. Jeffrey Bridge, que participou do estudo, é um epidemiologista do Nationwide Children’s Hospital em Columbus. Segundo Bridge, a pesquisa pode sugerir apenas que a impulsividade do TDAH talvez esteja ligada à impulsividade necessária para tirar a própria vida.3

Outros especialistas pedem cautela ao observar os resultados de uma pesquisa conduzida em uma população tão pequena (quase 700 crianças).

O Dr. David N. Miller, presidente da American Association of Suicidology, elogiou o estudo por analisar um grupo tão pouco investigado. Mas, questionou se a impulsividade é mesmo um fator importante no suicídio: “há evidências que apontam na direção contrária”, ele disse.

O que podemos fazer para evitar este desfecho?

Podemos perceber que quase 30% das 693 crianças e jovens neste estudo disseram ter alertado alguém sobre suas intenções suicidas.

Isso é de extrema importância para os pais e professores, que devem sim levar a sério o que a criança diz sobre a questão, independentemente da idade.

“Sabemos que crianças não necessariamente demonstram que são suicidas”, explicou Dr. Miller. “Mas, elas demonstrarão se perguntarmos a elas.” Dr. Bridge também alerta pais, professores e profissionais de saúde, que “precisam estar cientes que, apesar do suicídio infantil ser algo raro, crianças podem pensar sobre suicídio e até tentar cometer suicídio”.

É importante perguntar diretamente à criança sobre seus pensamentos, se você estiver preocupado. Os pais precisam conhecer os sinais de alerta. Dr. Bridge nos ensina sobre os principais sinais:

– frases que manifestem desejo de morte;

– tristeza por períodos longos;

– afastamento repentino de familiares e amigos;

– irritação e agressividade crescentes e constantes.

Se estes sinais estiverem presentes, diz Dr. Bridge, os pais devem ficar alertas e levar a criança para ver um profissional de saúde mental.

Considere outros dados sobre o TDAH na infância e o impacto do transtorno nos índices de suicídio na vida adulta. Pesquisas anteriores apontam os seguintes números:4

– 8% dos adultos que foram diagnosticados com TDAH na infância cometeram suicídio. Para adultos sem o transtorno, a taxa ficou em 1%.5

– 16% dos adultos com TDAH na maturidade tentaram cometer suicídio. Enquanto o TDAH sozinho não foi considerado um forte fator preditivo para o suicídio, desordens comórbidas, que acontecem simultaneamente, aumentam os riscos em quatro ou 12 vezes.6

FONTES

1 SHEFTALL A et al., 2016. Suicide in elementary school-aged children and early adolescents. Pediatrics. Pediatrics Oct 2016, 138 (4) e20160436; DOI: 10.1542/peds.2016-0436. Disponível em: http://pediatrics.aappublications.org/content/138/4/e20160436 . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

2 ADHD More Common Than Depression in Child Suicide. MEDSCAPE. Disponível em: https://www.medscape.com/viewarticle/869027 . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

3 MORE CHILD SUICIDES ARE LINKED TO A.D.D. THAN DEPRESSION, STUDY SUGGESTS. THE NEW YORK TIMES. Disponível em: https://www.nytimes.com/2016/09/19/science/more-child-suicides-are-linked-to-add-than-depression-study-suggests.html . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

4 OTHER DATA. NATIONAL RESOURCE CENTER ON ADHD (CHADD). Disponível em: http://www.chadd.org/understanding-adhd/about-adhd/data-and-statistics/other-data.aspx . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

5 BARBARESI W et al., 2013. Mortality, ADHD, and Psychosocial Adversity in Adults With Childhood ADHD: A Prospective Study. Pediatrics. 2013 Apr; 131(4): 637–644. doi: 10.1542/peds.2012-2354. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3821174/ . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

6 AGOSTI V et al., 2013. Does Attention Deficit Hyperactivity Disorder increase the risk of suicide attempts? J Affect Disord. Published in final edited form as: J Affect Disord. 2011 Oct; 133(3): 595–599. doi: 10.1016/j.jad.2011.05.008. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3163009/ . Acesso em: 28 de setembro de 2018.

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Diagnóstico TDAH: Condições Que Mimetizam O TDAH

Diagnóstico TDAH: condições que mimetizam o TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) pode ser mais comum do que você pensa. De acordo com as estatísticas mais recentes1, uma a cada dez crianças, entre 04 e 17 anos, é diagnosticada com o transtorno.

Então, não é surpreendente que, assim que os pais percebam que o filho é mais ativo ou impulsivo, pensem no TDAH como possível explicação.

Mas, o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade não é o único problema que pode gerar dificuldades de concentração, comportamento ou performance escolar. Aliás, existem muitas questões que podem mimetizar o TDAH.

Por isso, é extremamente importante que avaliações cuidadosas sejam feitas antes de entregar o diagnóstico final.

Não existem exames de sangue ou ressonância magnética capaz de apontar o TDAH. Como existem muitas desordens com os mesmos sintomas, é fundamental que o médico investigue todas as possibilidades antes de chegar à conclusão.

Os médicos de Harvard2 nos apontam algumas questões que devemos levar em conta na busca pelo diagnóstico. Vamos ver o que você e o médico do seu filho devem investigar.

1. Problemas de audição:

Se a criança não consegue escutar direito, terá problemas de atenção. Atualmente, os recém-nascidos fazem o Teste da Orelhinha antes de saírem do hospital. Assim, conseguimos identificar estes casos com mais facilidade.

Mas, alguns casos passam desapercebidos. Também, algumas crianças desenvolvem problemas depois, por causa de infecções no ouvido. Então, certifique-se de testar a audição se estiver buscando por um diagnóstico preciso.

2. Problemas cognitivos ou de aprendizado:

Se as crianças não entendem o que está sendo explicado ou o que está acontecendo ao redor, é difícil focar ou se engajar na aula. Isso também pode impactar interações sociais – que são rápidas, complexas e cheias de modulações.

Se a criança estiver apresentando baixo rendimento escolar, você deve buscar uma avaliação e um auxílio. Converse com o pediatra e com a coordenação da instituição de ensino. Discuta com eles o que pode fazer.

3. Problemas de sono:

Crianças que não dormem o suficiente, ou cujo sono é de má qualidade, podem sim apresentar problemas de aprendizado e de comportamento. Dormir insuficientemente também pode gerar dificuldade para se concentrar, se comunicar e obedecer direções. Ainda, pode reduzir a memória de curto prazo.3

Portanto, qualquer criança que boceje com frequência e que apresente outras características que indiquem sono deve ser levada ao médico, especialmente para avaliar se há pausas na respiração (apneia) ou engasgos durante a noite.

Os pais de adolescentes precisam se certificar de que os filhos estão dormindo, no mínimo, 8h por noite – fique de olho no uso de computadores e celulares.

4. Depressão ou ansiedade:

É difícil se concentrar quando se está triste ou preocupado. O que é mais preocupante é que, geralmente, tanto depressão quanto ansiedade não são diagnosticados e, portanto, não recebem tratamento adequado.

Como parte do processo de diagnóstico, seu filho deve ser avaliado para estas e outras doenças mentais, não apenas porque mimetizam o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, mas porque elas podem acontecer ao mesmo tempo que o TDAH.

5. Uso de substâncias químicas:

No caso de adolescentes, esta possibilidade precisa ser considerada. Especialmente, se os sintomas do TDAH não se manifestaram na infância.

Por definição, para ser diagnosticado, seu filho precisa ter manifestado os sintomas do transtorno antes dos 12 anos.

Claro, ninguém quer acreditar que o filho está usando drogas ou álcool, mas a verdade é que, até o final do Ensino Médio, metade dos jovens já experimentaram alguma droga ilícita pelo menos uma vez. Isso pode se repetir ou até se tornar um hábito. Fique atento.

Crianças sendo crianças

Algumas crianças diagnosticadas com TDAH não sofrem de condições médicas quaisquer. Elas são simplesmente agitadas ou entediadas com facilidade.

De acordo com uma pesquisa publicada no Canadian Medical Association Journal4, a idade da criança pode impactar na percepção do professor sobre um possível transtorno. Explicamos: se seu filho é mais novo do que a turma em que estuda, o professor pode confundir a imaturidade natural com o TDAH.

Ainda, crianças que apresentam um nível de inteligência superior ao dos colegas pode ficar facilmente entediada em sala de aula. Verifique se seu filho está na série adequada enquanto estiver realizando o diagnóstico.3

FONTES

1 ATTENTION-DEFICIT / HYPERACTIVITY DISORDER (ADHD). CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Disponível em: https://www.cdc.gov/ncbddd/adhd/data.html . Acesso em: 27 de setembro de 2018.

2 FIVE COMMON PROBLEMS THAT CAN MIMIC ADHD. HARVARD HEALTH PUBLISHING. Disponível em: https://www.health.harvard.edu/blog/5-common-problems-that-can-mimic-adhd-2018010913065 . Acesso em: 27 de setembro de 2018.

3 MISDIAGNOSIS: CONDITIONS THAT MIMIC ADHD. HEALTHLINE. Disponível em: https://www.healthline.com/health/adhd/adhd-misdiagnosis#sleep-disorders . Acesso em: 27 de setembro de 2018.

4 MORROW R et al., 2012. Influence of relative age on diagnosis and treatment of attention-deficit/hyperactivity disorder in children. CMAJ. 2012 Apr 17; 184(7): 755–762. doi: 10.1503/cmaj.111619. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3328520/ . Acesso em: 27 de setembro de 2018.

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