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PRODAH - Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade - UFRGS

Confusão Mental Em Adultos Pode Ser Causada Pelo TDAH?

Confusão mental em adultos pode ser causada pelo TDAH?

Você pode estar preocupado com a sua memória se notou que você tem lutado para acompanhar as questões do seu dia-a-dia, tem se perdido enquanto faz as tarefas de casa ou do trabalho e se desligado durante as conversas. Mas, pode ser que você tenha Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), uma diferença no cérebro comumente associada a crianças. Nos adultos, o TDAH frequentemente gera problemas de memória e de atenção, e não de hiperatividade.

“De dois a três porcento das pessoas com uma média de 60 anos têm traços de TDAH que são debilitantes”, explica Craig Surman1, um neuropsiquiatria e pesquisador de TDAH no Massachusetts General Hospital. Surman é autor do livro “FASTMINDS: How to Thrive If You Have ADHD (or think you might)”.

Provavelmente, não é algo novo na sua vida

Dr. Surman esclarece que, se você chegou à idade avançada e tem experienciado sintomas de TDAH, possivelmente, você viveu toda sua história com a condição, mas, talvez, não tenha percebido. Observe se, ao longo deste tempo, você se esforçou muito para administrar as seguintes questões:

– Esquecimento

– Desorganização

– Procrastinação

– Perda de interesse em tarefas

– Distração excessiva

– Ineficiência no trabalho (principalmente, quando há muitas tarefas simultaneamente)

– Impaciência

– Não conseguir controlar seus pensamento (dizer tudo o que pensa)

É claro que os sintomas se manifestam de forma diferente nos diversos estágios da vida. Na época da vida profissional, ou até mesmo na escola e na faculdade, por exemplo, você poderá se sentir pressionado a completar determinadas demandas em um período de tempo, a vencer prazos e a ser capaz de manter compromissos e agendas apertadas. Se, por um lado, isso parece dificultar a vida do indivíduo com TDAH, esta mesma estrutura de horários e demandas pode ajudar a manter os sintomas sob controle.

Na aposentadoria, as coisas começam a mudar. “Adultos mais velhos não têm mais as mesmas obrigações. Agora, são eles que criam e administram as estruturas. Isso pode ser uma batalha real”, argumenta o Dr. Surman.

Diagnóstico

Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é complicado, principalmente nesta idade. A desordem compartilha sintomas com o natural declínio de capacidades de pensamento, estresse, ansiedade ou até mesmo depressão. Ainda, a confusão mental pode apenas ser um efeito de determinados remédios como anticolinérgicos. Estas medicações são bastante comuns para o tratamento de incontinência, como é o caso da oxibutinina; para o tratamento da depressão, como a amitriptilina; além de alergias, como é o caso do anti-histamínico difenidramina.

Para começar a dissociar o TDAH de outras condições, Dr. Surman sugere que você pergunte a si mesmo se você sempre lutou com as questões que mencionamos acima. Durante a juventude, era excessivamente difícil para você se manter focado nas tarefas e concluí-las? Isso passava quando aquilo que você estava fazendo era muito interessante para você?

Observe sua história e repasse estas informações para seu psicólogo, psiquiatra ou profissional de saúde. Isso será de grande valia para avaliações mais precisas. Ainda, investigue com seu cônjuge ou familiares, questione-os sobre como você se sentia ou se comportava frente a determinadas situações.

Uma avaliação também incluirá seu histórico médico e, possivelmente, alguns exames e testes para medir a atenção.

Tratamento

Enquanto a medicação é uma constante no tratamento para os desafios com a atenção que pessoas diagnosticadas com TDAH enfrentam, Dr. Surman diz que estratégias não medicamentosas podem ajudar os indivíduos a superar as expectativas cotidianas. “A maioria das pessoas com TDAH pode apontar quais são as tarefas e as situações em que eles se saem bem e aquelas em que eles precisam lutar muito para enfrentar. Isso oferece pistas que nos levam aos fatores capazes de ajudá-los a lidar com os sintomas”, explica o médico.

Ainda, é importante salientar que medicamentos para o TDAH – como o metilfenidato e os sais de anfetamina – podem reduzir o apetite, gerar insônia, aumentar a taquicardia ou a pressão sanguínea. Nesta idade, estes efeitos colaterais precisam ser acompanhados com mais atenção.

Quando o Dr. Surman prescreve medicações para o TDAH na terceira idade? “Quando os problemas de atenção e de manutenção de tarefas começam a prejudicar o cuidado consigo mesmo, a rotina de saúde e as relações destas pessoas”, explica o neuropsiquiatria.

Estratégias não medicamentosas

Na terceira idade, transformar comportamentos pode ser muito eficiente para minimizar os sintomas do TDAH. Você pode participar de grupos de apoio e utilizar as estratégias que os membros compartilham na sua rotina. Reflita sobre a possibilidade de se consultar com um coach, com um terapeuta ou psicólogo. “Estes profissionais lhe ajudarão a adaptar estratégias e soluções que funcionaram para você ao longo da vida”, defende Dr. Surman.

Estratégias podem incluir

– Participar de atividades interessantes e mais colaborativas

– Ter um amigo ou profissional que lhe acompanhe na rotina

– Registrar pensamentos e ideias em listas

– Utilizar organizadores e planejadores

– Criar áreas de baixa distração em sua casa, sem televisores, telefones ou até mesmo pessoas.

Fonte:

1 IS THAT BRAIN FOG REALLY ADULT ADHD?. HARVARD HEALTH PUBLISHING. Disponível em: https://www.health.harvard.edu/diseases-and-conditions/is-that-brain-fog-really-adult-adhd . Acesso em: 06 de dezembro de 2018.

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Vídeo comentado: Dra. Carmita Abdo

Dra. Carmita Abdo é médica psiquiatra, Doutora e Livre-Docente pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e Coordenadora do Curso de Especialização em Sexualidade Humana da FMUSP. Neste vídeo a Dra. fala mais sobre a vida sexual para pacientes de TDAH e o início de sua atividade na adolescência.

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O Que é TDAH (e O Que Não é) Na Sala De Aula

O que é TDAH (e o que não é) na sala de aula

Muitas crianças com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) desenvolvem sintomas da desordem antes de entrarem na escola. Mas, é na escola, quando eles manifestam dificuldades para atender expectativas relacionadas a crianças da idade, que os diagnósticos começam a ser formados1.

O TDAH é a primeira questão a ser levantada quando o comportamento ou as notas estão problemáticas. As situações são bem conhecidas: a criança não consegue ficar sentada, “cospe” respostas sem aguardar sua vez, não consegue fazer as lições de casa ou fica sonhando acordada enquanto o professor passa as instruções das tarefas. Estes são sintomas bastante comuns no transtorno.

Claro que estes comportamentos podem ser resultado de outros fatores, que vão da ansiedade ao trauma. Muitas vezes, sintomas similares ao TDAH podem surgir apenas pelo fato de a criança ser um pouco mais nova do que os colegas e, portanto, menos madura.

Por isso, é fundamental que professores e pais conheçam e compreendam como o TDAH se manifesta em sala de aula.

Observar as crianças com cuidado é especialmente importante quando elas são pequenas demais para articularem como estão se sentindo. Manter um olho atento sobre as crianças é relevante não apenas porque afeta a capacidade de aprendizado (dos colegas também), mas como também a vida social e emocional do jovem.

Quando os pequenos começam a fracassar ou ter grandes dificuldades na escola por um período de tempo extenso, a frustração pode levar a padrões de comportamento disfuncional que são bem difíceis de quebrar.

Sintomas de TDAH em sala de aula

Existem três tipos de comportamentos associados ao TDAH: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Sim, todas as crianças têm estes comportamentos ocasionalmente. Falamos, aqui, de casos extremos, que impedem um cotidiano saudável.

Os sintomas do TDAH são divididos em dois grupos – desatenção e hiperatividade-impulsividade. Algumas crianças manifestam mais a desatenção, outras a hiperatividade-impulsividade. Porém, a maioria diagnosticada com TDAH terá uma combinação de ambos.

Veja os comportamentos mais comuns na escola.

Sintomas de desatenção:

– Incapacidade de observar detalhes, comete erros por falta de cuidado

– Facilmente distraída ou levada por estímulos externos

– Dificuldade de seguir instruções

– Parece não estar escutando mesmo quando falam diretamente com ela

– Problemas para organizar tarefas e materiais

– Dificuldade em concluir lições na escola ou em casa

– Evita tarefas que exijam concentração e esforço mental

– Perde lições de casa, livros, roupas e acessórios

 

Sintomas de hiperatividade-impulsividade:

– Balança pernas e bate dedos ou mãos constantemente

– Corre e pula quando não é o momento

– Dificuldade de brincar quietinha

– Extrema impaciência, não consegue aguardar sua vez

– Fala excessivamente

– Responde antes das perguntas serem concluídas

– Interrompe e invade conversas e atividades alheias

Mantenha em mente que nem toda criança com estes sintomas tem TDAH. Crianças diagnosticadas com TDAH demonstram estas questões tão frequentemente, que elas geram dificuldades graves em pelo menos dois ambientes, como casa e escola. Ainda, os problemas devem prosseguir por ao menos seis meses.

A idade importa

Também observe que, ao considerar o comportamento do seu filho, você deve compará-lo às crianças da mesma idade. Muitas vezes, dentro de uma sala de aula, você encontra diferentes idades que podem variar em meses ou até mesmo anos. Nesta fase, isso pode representar grandes diferenças comportamentais.

Um estudo2 concluiu que as crianças mais novas na sala de aula tendem a ser equivocadamente diagnosticadas com TDAH. A pesquisa da Universidade de Michigan3 descobriu que, entre crianças em idade pré-escolar, as mais novas tinham 60% a mais de chance de serem diagnosticadas com o transtorno do que seus colegas mais velhos.

Lembre-se: meninas são diferentes

Não poderíamos finalizar sem enfatizar que o transtorno se manifesta de formas diferentes nos meninos e nas meninas. Enquanto o estereótipo do TDAH é a criança que grita e não para quieta, as meninas podem ter sintomas mais leves. Muitas delas, inclusive, têm apenas o tipo desatento de TDAH – e acabam sendo categorizadas como “sonhadoras” ou “distantes”.

Mas, um dos grandes motivos pelos quais as meninas acabam sendo esquecidas nesta questão é porque tendem a se culpar por suas fraquezas, tentando esconder sua vergonha e dificuldade. Enquanto amadurecem, a consciência de que elas terão que lutar muito mais para conquistar as mesmas coisas que suas amigas pode ser muito prejudicial para a autoestima. Pais de meninas devem ficar atentos a este fato.

Fontes:

1 WHAT’S ADHD (AND WHAT’S NOT) IN THE CLASSROOM. CHILD MIND INSTITUTE. Disponível em: https://childmind.org/article/whats-adhd-and-whats-not-in-the-classroom/ . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

2 NEARLY 1 MILLION CHILDREN POTENTIALLY MISDIAGNOSED WITH ADHD. MICHIGAN STATE UNIVERSITY. Disponível em: https://msutoday.msu.edu/news/2010/nearly-1-million-children-potentially-misdiagnosed-with-adhd/ . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

3 ELDER T. 2010. The Importance of Relative Standards in ADHD Diagnoses: Evidence Based on Exact Birth Dates. Journal of Health Economics. Volume 29, Issue 5, September 2010, Pages 641-656. doi: <https://doi.org/10.1016/j.jhealeco.2010.06.003>. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0167629610000755 . Acesso em: 31 de outubro de 2018.

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TDAH E Riscos Na Direção: O Que Os Pais Precisam Saber

TDAH e riscos na direção: o que os pais precisam saber

Aprender a dirigir ou tirar uma carteira de motorista é uma imensa conquista para os jovens. Porém, ter um novo motorista na família também pode gerar apreensão.

1,25 milhão de pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito. Acidentes viários são a principal causa de mortes na faixa etária dos 15 aos 29 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde1. No Brasil, a situação não é menos grave. Somos o 4° país no mundo com maior taxa de mortes no trânsito.

Quando falamos de jovens diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), a apreensão pode ser ainda maior.

No caso de jovens com TDAH, o risco de acidentes aumenta em 36%, não importando idade, gênero ou tempo de experiência na direção2.

Comportamento impulsivo, uso de álcool ou drogas, distração e falta de foco são grandes fatores de risco para acidentes e são, também, fatores associados a jovens com TDAH.

A distração pode se manifestar de muitas formas: tirar os olhos da estrada, tirar as mãos da direção ou se perder em pensamentos, explica a American Academy of Pediatrics (AAP)2.

A instituição informa que adolescentes representam 7% dos motoristas envolvidos em acidentes fatais (13% destes estavam distraídos com seus celulares).

Por isso, a AAP encoraja os pais a conversarem muito com os filhos que estão aprendendo a dirigir. Estabeleça limites antes de dar as chaves para o jovem.

Seu filho precisa compreender que dirigir não é um direito, mas sim um privilégio. Mais ainda, que é um privilégio regulado pelo Estado e não por você, pai ou mãe. O Estado precisa se assegurar que o motorista é capaz de operar o veículo. Explique a seriedade desta responsabilidade para seu filho dentro do contexto dos desafios do TDAH.

Medicação e direção

A medicação pode ajudar os jovens no controle dos sintomas do transtorno. Mas, os benefícios dos medicamentos especificamente sobre a direção ainda não são claros, diz a AAP. Isso porque muitos fatores contribuem para a eficácia da medicação neste caso: a hora do dia em que se toma a medicação, há quanto tempo tomou e o quão eficiente o tratamento tem se mostrado importam muito nessa hora.

Por exemplo, motoristas têm mais chance de sofrerem acidentes no final do dia ou à noite. É quando o efeito da medicação pode estar comprometido.

Contudo, a National Resource on ADHD (CHADD)3 explica que jovens em tratamento para o transtorno são sim melhores motoristas do que adolescentes sem tratamento. A CHADD aponta que adolescentes que nunca tomaram medicações estimulantes estão mais envolvidos em acidentes do que adolescentes que tomaram os medicamentos por um período mínimo de três anos.

Adolescentes com TDAH também podem precisar de treinamento especializado para dirigir ou até mesmo ajuste na medicação. A AAP estimula os pais a conversarem com o médico antes do jovem tirar sua licença para dirigir.

Sugerimos que você analise outros fatores também:

– O que esperar dos jovens nesta fase e quais limites devem ser impostos?

– Deve haver alguém supervisionando a direção do jovem?

– Quais os riscos do uso de álcool para jovens que tomam medicação para o TDAH?

– Há benefícios em utilizar tecnologias de monitoramento ou tecnologias como freios automáticos, câmeras de ré, controle eletrônico de estabilidade e sensor de ponto cego?

Indicações práticas antes de dirigir

Russell Barkley, PhD, e Daniel Cox, PhD, referências mundiais na pesquisa da TDAH no mundo, escreveram a obra ADHD Safe Driving Program: A Graduated License Program para ajudar os pais nesta missão.

O livro está esgotado, infelizmente, mas apresentaremos as diretrizes principais da obra para você4. Também, sugeriremos um programa similar, para que você tenha mais segurança na aplicação de alguns passos antes de dar as chaves do carro para o seu filho.

O programa de Barkley e Cox divide a autonomia na direção em três estágios de independência:

Estágio 1: (0 a 6 meses de experiência): dirigir apenas durante o dia.

Estágio 2: (6 meses a 1 ano de experiência): aumentar o tempo de direção para a noite.

Estágio 3: (1 ano a 1 ano e meio de experiência): liberdade para dirigir segundo as regras estabelecidas pelos pais.

Os pesquisadores sugerem algumas destas regras, que devem ser seguidas diariamente. Vamos conhecê-las:

– Tome a medicação exatamente como prescrita.

– Escreva um diário dizendo onde foi e em qual horário.

Enquanto dirigir…

– Mantenha a música baixa.

– Não mexa no rádio.

– Não coma.

– Não utilize o celular.

– Sem outros adolescentes no carro.

– Nunca beber ou usar drogas e dirigir.

Você e seu filho entrarão neste contrato e estabelecerão as regras juntos. Ambos precisam compreender as consequências de quebrar as regras. O jovem precisa aceitar o TDAH como uma desordem que prejudica sua capacidade de dirigir.

O jovem deve concordar com os estágios e com as regras. Você também deve concordar em seguir os estágios, ou seja, se seu filho obedecer às regras, você precisará expandir os limites ao longo dos meses.

O jovem deve compreender que é seu papel garantir que ele está seguindo o acordo. Você, como mãe ou pai, terá permissão para investigar se cada item está sendo obedecido. Ainda, você terá completa permissão para remover o privilégio de dirigir caso alguma regra seja quebrada.

Não deixe de acessar também o programa Behind the Wheel with ADHD, desenvolvido pelos coaches especializados em TDAH e Função Executiva Gayle Sweeney e Ann Shanahan. O programa é recomendado por Russell Barkley. www.behindthewheelwithadhd.com

FONTES:

1 BRASIL TEM ‘EPIDEMIA’ DE MORTES NO TRÂNSITO, DIZ MÉDICO ESPECIALISTA. SPUTNIK. Disponível em: https://br.sputniknews.com/brasil/2018040310900411-brasil-mortes-transito-oms-jovens-alcool/ . Acesso em: 30 de outubro de 2018.

2 ADHD AND DRIVING RISK: THE LINK PARENTS NEED TO KNOW. APP NEWS. Disponível em: http://www.aappublications.org/news/2018/09/24/teendriverpp092418 . Acesso em: 30 de outubro de 2018.

3 TEENS WITH ADHD AND DRIVING. CHADD. Disponível em versão cache: http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:yNoxplsCg3cJ:www.chadd.org/Understanding-ADHD/For-Parents-Caregivers/Teens/Teens-with-ADHD-and-Driving.aspx+&cd=5&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br . Acesso em: 30 de outubro de 2018.

4 ADHD SAFE DRIVING PROGRAM. CHADD. Disponível em: https://chadd.org/wp-content/uploads/2018/06/ATTN_12_07_Safe_Driving_Program.pdf . Acesso em: 30 de outubro de 2018.

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TDAH Da Infância Para A Adolescência: O Que Muda Daqui Para Frente?

TDAH da infância para a adolescência: o que muda daqui para frente?

Seu filho está crescendo e os desafios do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) vão mudar. O que lhe aguarda daqui para frente?

Esta época tão conturbada da vida do jovem pode apresentar questões específicas, que vamos abordar daqui para frente.

Até alguns anos, era comum acreditar que, quando a criança com TDAH entrasse na adolescência, o transtorno não seria mais um problema. Mas, hoje sabemos que entre 50% e 80% dos adolescentes seguem se enquadrando nos critérios de diagnóstico.1

Então, o que significa ser um adolescente com TDAH?

A primeira coisa a ser dita é que a desordem não precisa impedir seu filho de levar uma vida feliz e plena. A chance do jovem ser bem-sucedido variará muito de acordo com o tempo e a qualidade do tratamento no passado e no presente.

Os sintomas mais comuns do TDAH – desatenção, impulsividade e hiperatividade – são fatores comuns às crianças e aos adolescentes. Porém, há diferenças. Os jovens notam menos sinais de hiperatividade, como balançar as pernas ou não conseguir ficar sentado.

Por outro lado, questões hormonais entram em jogo. Ainda, os desafios da escola podem se tornar mais difíceis. Isso ocorre não porque o transtorno se agrava, mas sim porque as demandas são muito mais exigentes e a necessidade de autonomia (não poder ou querer contar com os pais) pode complicar a situação.2

Outra questão relacionada ao TDAH na adolescência é dificuldade com as Funções Executivas, que já abordamos em um especial aqui no app Focus TDAH.

A Função Executiva é a habilidade do cérebro em priorizar e lidar com pensamentos e atitudes. Em outras palavras, a Função Executiva permite que seu filho crie e planeje objetivos, meça consequências das ações, avalie o próprio progresso e mude os planos caso seja necessário.

Novamente, não se trata de um agravamento do transtorno, mas sim da complexidade dos novos desafios que seu filho enfrentará daqui para frente.

Entenda que a autonomia é crucial para o jovem. Sua ajuda, durante a infância, cobriu muitas das tarefas que eram responsabilidade de Função Executiva do seu filho: você organizou a agenda, lembrou dos trabalhos e planejou os melhores métodos de execução.

Agora, é a hora do adolescente fazer estas coisas sozinho.

Seja motor de autonomia

Encorajar seu filho a fazer as coisas por si mesmo é uma das mais poderosas ferramentas para reduzir estes fatores que mencionamos.

Mas, como fazê-lo? Atividades sociais e prazerosas, como teatro, esportes, artes podem gerar grupos de amizades saudáveis e canalizar o excesso de energia. Estimule seu filho a encontrar o que gera verdadeiro prazer e engaje-o nestas atividades. Outras estratégias podem ser:

– Utilize planejadores, como o app Focus TDAH.
– Faça listas.
– Construa a autoestima com seu filho.
– Reafirme e recompense o comportamento positivo.
– Estabeleça consequências para o comportamento negativo.
– Mantenha-se em contato com os professores.
– Mantenha rotinas bem claras e estabelecidas.
– Crie ambientes tranquilos e específicos para o estudo.
– Estabeleça responsabilidades, como cozinhar e cuidar das próprias roupas
– Estimule seu filho a conversar sobre emoções com alguém em quem confia.
– Faça o máximo para colaborar na qualidade do sono. Tenha regras claras sobre uso de celulares e computadores no quarto de dormir.

Condições coocorrentes na adolescência

Há diversas desordens com sintomas similares ao TDAH e que podem ocorrer simultaneamente ao Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade. Uma média de 60% de crianças e adolescentes apresentam ao menos uma desordem coocorrente.3

Na adolescência, vemos o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) e o Transtorno de conduta (TC) em prevalência.

O TOD pode gerar dificuldade de impor regras ao seu filho. Já o TC é mais severo e pode envolver dificuldade de seguir normas, mas também pode incluir comportamentos perigosos e até ilegais, como roubar, agredir ou destruir patrimônio público.

Segundo a CHADD (The National Resource on ADHD), outras condições que podem se tornar mais evidentes neste período são:

– Transtornos do humor, incluindo depressão e distimia (similar à depressão, mas por períodos mais extensos).

Adolescentes com depressão frequentemente se sentem irritados ou tristes e podem não desenvolver interesse por atividades que, até então, eram fonte de prazer. Eles também podem ter problemas para dormir e sentirem uma forte angústia ou desesperança sobre o futuro, sendo tomados por pensamentos sobre morte ou suicídio. A CHADD aponta que entre 20% e 30% dos adolescentes têm transtornos do humor coocorrendo com o TDAH.

– Ansiedade.

Segundo a instituição, desordens de ansiedade podem ocorrer entre 10% e 40% dos adolescentes com TDAH. Estas desordens são caracterizadas por preocupação excessiva e dificuldade de controlar esta apreensão. As pessoas que sofrem de ansiedade também sentem sintomas físicos, como dores de cabeça, de estômago e taquicardia, além de ataques de ansiedade.

– Abuso de substâncias químicas.

Uma das maiores preocupações dos pais de adolescentes pode ser potencializada no caso de pacientes com TDAH. De fato, nos explica a CHADD, o risco para o uso de drogas, em adolescentes com o transtorno, varia entre 12% e 14%.

É importante dizer que o uso de medicamentos para o transtorno não aumenta o risco de uso de drogas. Pelo contrário. Na realidade, as medicações podem proteger os jovens de usarem drogas ilícitas ao longo da vida.

O fator mais preditivo para o uso de drogas seria o diagnóstico de Transtorno de conduta (TC). Observe os seguintes sintomas em seu filho e, caso desconfie que há algo acontecendo, procure seu médico e a escola: cheiro de álcool, cigarro ou maconha, olhos vermelhos, injetados ou rosto vermelho, mudanças no humor, isolamento, queda na vida acadêmica ou escolar e mudança de amizades.

– Problemas de aprendizado e de comunicação.

Esta questão é bastante relevante, já que a CHADD indica que desordens de aprendizado estão presentes em 1/3 dos jovens com TDAH. As demandas da escola e da faculdade elevam os índices de estresse e os pais devem se manter alertas, monitorando tanto a performance quanto os sentimentos do filho.

Desordens de comunicação incluem não apenas dificuldades na fala (como gaguejar), mas também desafios para compreender a linguagem e manter habilidades de expressão.

– Problemas para dormir.

Muito comum no TDAH, é bom levar em conta que mudanças nos ciclos de sono são normais em todos os adolescentes. É senso comum que os jovens começam a dormir mais tarde e não gostam de levantar cedo. Adolescentes também precisam de mais horas de sono, alerta a CHADD.

Mas, em jovens com o transtorno, distúrbios do sono podem ser mais pronunciados. Procure descobrir, com o médico, se há algum distúrbio preexistente ligado ao sono ao avaliar os medicamentos de seu filho.

Não é possível prever quais adolescentes passarão por estes sintomas ou condições. É possível que haja questões genéticas envolvidas. O estresse do ambiente de cada jovem também tem um forte papel nos adolescentes com TDAH, como pressão social, críticas e frustração interna.

Por isso, mantenha-se sempre alerta ao seu filho e em contato com o médico ou profissional de saúde responsável pelo jovem.

Lembre-se: seu filho é um jovem adulto, mas um jovem adulto com TDAH

O processo de maturidade em jovens com TDAH pode ser um pouco mais lento e menos linear, alerta3 Kathleen Nedeau, Ph.D, Diretora do Chesapeake Psychological Services de Maryland e coautora da obra Understanding Girls With ADHD.

Neste processo de crescimento, haverá muitos altos e baixos, idas e vindas. É lento, mas isso não significa que seu filho nunca chegará a lugar algum, explica a doutora.

Os lobos frontais, que estão envolvidos no TDAH, continuam a amadurecer até que o ser humano atinja 35 anos. Em termos práticos, isso quer dizer que pessoas com o transtorno podem esperar redução de sintomas durante este período. Muitos não chegarão à maturidade emocional antes dos 21 anos e isso pode seguir até os 30.

É importante que você compreenda as questões biológicas para que mantenha em mente o tempo do seu filho.

Você pode não ser capaz de resolver os problemas do seu filho, agora que ele não é mais uma criança, mas suas cobranças e expectativas podem seguir machucando. Comparar um filho com TDAH a irmãos sem o transtorno pode ser altamente destrutivo. A paciência e o conhecimento são o melhor caminho aqui.

Nadeau explica que pais de filhos diagnosticados com TDAH precisam ajustar suas expectativas. Ela diz que grande parte do seu trabalho com as famílias é educar os pais e conta que muitos comparam seus filhos aos colegas que estão tirando boas notas, passando nas cadeiras, fazendo estágios e ganhando dinheiro.

Nadeau argumenta que existem coisas que pessoas com TDAH têm mais dificuldade e, possivelmente, para sempre terão. Neste caso, elas precisam de apoio e não de crítica, enfatiza a doutora.

Jovens com TDAH precisam de mais tempo, resume a especialista. Ela aconselha os jovens a reduzirem suas próprias expectativas com relação à vida adulta e a experimentarem esta fase gradativamente.

Morar um ano ou dois fora da casa dos pais, fazer trabalhos de meio turno ou mais leves antes de se comprometerem com uma carreira podem ser pequenos passos para ir sentindo a vida.

“Eles precisam desenvolver habilidades de vida antes de tudo”, diz Nadeau. Pagar o aluguel, ser responsável pela alimentação e pela própria rotina são questões importantes nessa hora.

A doutora explica que uma transição drástica do seio familiar para uma vida totalmente autossuficiente pode ser exigente demais, por isso, a autonomia deve ser trabalhada o quanto antes e gradativamente.

Fontes:

1 SPRICH S et al., 2015. Cognitive-Behavioral Therapy for ADHD in Adolescents: Clinical Considerations and a Case Series. Published in final edited form as: Cogn Behav Pract. 2015 May; 22(2): 116–126. Published online 2015 Feb 4. doi: 10.1016/j.cbpra.2015.01.001. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5014388/ . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

2 ADHD IN TEENS. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/adhd-teens#1 . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

3 DIAGNOSING ADHD IN ADOLESCENCE. CHADD. Disponível na versão cachê: http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:Jz7_E6bVc9gJ:www.chadd.org/Understanding-ADHD/For-Parents-Caregivers/Teens/Diagnosing-ADHD-in-Adolescence.aspx+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

4 GROW UP ALREADY! WHY IT TAKES SO LONG TO MATURE. ADDITUDE. Disponível em: https://www.additudemag.com/grow-up-already-why-it-takes-so-long-to-mature/ . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

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Sobreposição Entre Autismo E TDAH: Novo Estudo Explica Relações Entre As Desordens

Sobreposição entre autismo e TDAH: novo estudo explica relações entre as desordens

Traços ligados ao Transtorno do Espectro do Autismo e ao Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) tendem a coocorrer também na fase adulta. A descoberta veio de um dos primeiros estudos sobre os sintomas realizados com esta faixa etária1.

Os resultados apoiam a ideia de que o Transtorno do Espectro do Autismo e o TDAH estão intrinsecamente ligados – uma noção amplamente baseada em pesquisas realizadas com crianças.

“Não sabemos muito sobre a transição da adolescência tardia para a fase adulta quando falamos sobre autismo e TDAH”, explica o responsável pelo estudo, Ralf Kuja-Halkola, um estatístico do Karolinska Institute, localizado em Estocolmo, na Suécia2.

As descobertas têm implicações sobre como os médicos devem tratar pacientes com a sobreposição dos sintomas.

“Se um adulto está buscando ajuda para uma desordem, é uma boa ideia levar em conta os sintomas do outro transtorno”, diz Kuja-Halkola.

Os dados vieram de quase sete mil gêmeos. Os pesquisadores concluíram que metade da sobreposição entre traços de autismo e de TDAH aconteciam devido a fatores genéticos. A outra metade acontecia devido a fatores ambientais.

Kuja-Halkola e seus colegas analisaram traços de autismo e de TDAH em 6.866 gêmeos nascidos na Suécia entre maio de 1985 e junho de 1992. Os participantes vieram do Swedish Twin Registry, que inclui tanto gêmeos idênticos quanto fraternos.

Quando os participantes atingiram a idade de 20 a 28 anos, eles completaram um questionário que investigava traços tanto de TDAH quanto de autismo. As perguntas foram baseadas em critérios de diagnóstico para ambos os transtornos.

Os pesquisadores descobriram que, quando um dos irmãos manifestava dificuldades de atenção ou hiperatividade, o gêmeo frequentemente manifestava comportamentos repetitivos ou problemas de comunicação.

A sobreposição é mais forte em gêmeos idênticos do que em gêmeos fraternos, que compartilham, aproximadamente, metade do DNA. Isso sugere que fatores genéticos contribuem para a sobreposição dos sintomas.

A sobreposição é mais notável nos comportamentos repetitivos, que caracterizam o autismo e na impulsividade e hiperatividade, que caracterizam o TDAH. Um estudo de 2014, realizado com adultos entre 20 e 46 anos, descobriu o mesmo padrão3.

Contudo, estudos feitos com crianças mostraram que os sintomas mais sobrepostos eram dificuldades sociais e comunicacionais. “Parece que os tipos de traços que se sobrepõem acabam mudando ao longo do tempo”, diz Tinca Polderman, professora assistente de Genética na Vrije Universiteit Amsterdam, na Holanda. Polderman conduziu o estudo de 2014.

As razões para estas sobreposições ainda são desconhecidas. Polderman diz que um dos motivos pode ser que adultos tenham dificuldades sociais e comunicacionais menos destacadas. Isso ocorreria, porque crianças geralmente precisam lidar com situações sociais complexas na escola, enquanto adultos tendem a escolher ambientes mais adequados para suas habilidades sociais.

Fatores Genéticos:

Ao comparar as pontuações dos gêmeos idênticos e fraternos no novo estudo de Kuja-Halkola, os pesquisadores estimaram que fatores genéticos sejam responsáveis por metade da sobreposição de trações de autismo e de TDAH. Fatores ambientais exclusivos de um membro de cada par – como acidentes ou experiências com colegas – seriam responsáveis pela outra metade.

O estudo pode, no entanto, subestimar a relação na contribuição para a sobreposição: pesquisas com gêmeos sugerem que os genes são responsáveis pela maioria da sobreposição entre autismo e TDAH.

Já no estudo de Kuja-Halkola, se um irmão se autoavaliasse com uma nota diferente de seu gêmeo, por exemplo, isso já poderia modificar o peso da genética na conclusão dos pesquisadores.

Kuja-Halkola diz que o próximo passo é analisar como a sobreposição muda com a idade, acompanhando os mesmos indivíduos ao longo do tempo.

Benjamin Yerys, psicólogo infantil no Center for Autism Research, localizado no Children’s Hospital of Philadelphia, Estados Unidos, diz estar motivado com as descobertas. “Este estudo preenche um abismo relevante na nossa compreensão sobre a relação entre Transtorno do Espectro do Autismo e Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade”, afirmou o psicólogo, que não estava envolvido no estudo.

Fontes:

1 GHIRARDI l. et al., 2018. Genetic and environmental contribution to the overlap between ADHD and ASD trait dimensions in young adults: a twin study. J Psychol Med. 2018 Sep 7:1-9. doi: 10.1017/S003329171800243X. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30191778 . Acesso em: 29 de outubro de 2018.

2 OVERLAP IN TRAITS OF AUTISM, ATTENTION DEFICIT PERSISTS INTO ADULTHOOD. SPECTRUM NEWS. Disponível em: https://www.spectrumnews.org/news/overlap-traits-autism-attention-deficit-persists-adulthood/ . Acesso em: 29 de outubro de 2018.

3 POLDERMAN TJ. et al., 2014. The co-occurrence of autistic and ADHD dimensions in adults: an etiological study in 17,770 twins. Transl Psychiatry. 2014 Sep 2;4:e435. doi: 10.1038/tp.2014.84. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25180574 . Acesso em: 30 de outubro de 2018.

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TDAH No Ambiente De Trabalho: Como Transformar Desafios Em Oportunidades

TDAH no ambiente de trabalho: como transformar desafios em oportunidades

Foco excelente, atenção aos detalhes, velocidade e organização – características que os empregadores buscam nos candidatos às vagas. Bem, não são qualidades exatamente fortes nas pessoas diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH).

Mas, existem estratégias para colaborar com estas questões e alcançar o sucesso profissional. Hoje, vamos dar uma olhada no que o profissional com TDAH irá enfrentar e o que pode fazer para transformar desafios em oportunidades.

Como o TDAH afeta o mundo do trabalho?

Foco e produtividade por longos períodos de tempo pode ser um problema para pessoas com TDAH. Uma pesquisa nos Estados Unidos1 comprovou isso, estimando a dificuldade dos pacientes em manter um trabalho de turno integral. A diferença da manutenção da vaga entre pessoas com a sem o transtorno é significativa.

– 50% das pessoas com TDAH conseguem manter o emprego de turno integral;

– 72% das pessoas sem a desordem conseguem manter o emprego de turno integral.

Mas, o mais triste vem agora: pessoas com TDAH, mesmo capazes de prosseguir no trabalho, ganham menos do que seus colegas. A pesquisa avaliou que, todos os anos, 77 bilhões de dólares deixam de ser entregues aos funcionários com TDAH.

Este não precisa ser o seu caso. Como o TDAH afetará o seu trabalho depende da gravidade da sua condição e da sua capacidade de administrar as situações.

Algumas pessoas podem apenas sentir dificuldades de se manter por muito tempo em uma mesma tarefa. Já outros, não conseguem passar o dia inteiro no escritório sem explodir com o chefe ou um colega. Em casos graves, é comum que haja troca constante de emprego ou se recorra a algum seguro saúde oferecido pelo governo.

Na pele do funcionário

O TDAH afeta a performance profissional de diversas formas. Dificuldade em ficar sentado, desorganização da mesa, considerar reuniões maçantes ou prazos impossíveis, tudo pode afetar a performance do paciente.

O site WebMD2 explica que pessoas diagnosticadas com o transtorno tendem a ter problemas com atenção, memória, processamento mental e fluência verbal. São questões ligadas à Função Executiva, um tópico que sempre abordamos nos textos aqui, do app Focus TDAH.

Mas, nem tudo são sombras neste mundo. A forma com que você lidará com sua desordem é crucial para transformar a maneira com que os outros lidam com você.

Revertendo o jogo

Sempre incentivamos pais a conversarem com as escolas para que, juntamente com professores, desenvolvam estratégias que permitam o máximo potencial das crianças. Pois bem, agora é sua vez de conversar com seu chefe para alcançar o mesmo objetivo.

E o que você dirá? Dará uma aula sobre sua Função Executiva e seus lobos frontais? Não exatamente. Você dominará seus pontos fortes e os métodos mais eficientes de trabalho para que a equipe inteira saia ganhando.

Enquanto o funcionário padrão trará resultados padrão para a empresa, talvez, seja interessante mostrar ao gestor que o funcionário capaz de levar a equipe para outro nível é justamente aquele que enxerga o mundo de outra forma: você.3

Claro, para isso serão necessários alguns ajustes no método de trabalho, como permitir que suas atividades (aquelas que envolvem criatividade), tenham prazos mais extensos. Você também pode pedir que suas demandas sejam mais bem explicadas e, principalmente, passadas por escrito.

Vamos ver três questões que podem e devem ser ajustadas no ambiente de trabalho para que o time extraia o melhor de todos os funcionários. Tente combinar algumas destas mudanças com seu chefe. Comprometa-se com o desafio.

Perceba como muitas destas estratégias já colaboraram com seu TDAH na infância. Elas seguirão funcionando, é tudo questão de adaptação para este novo cenário.

Gerenciamento de tempo: o TDAH é uma desordem que consume muito tempo, explica o Dr. Russell Barkley4, Professor de Psiquiatria e Pediatria na Universidade de Medicina da Carolina do Sul.

Barkley, um dos mais respeitados especialistas em TDAH no mundo, explica que a distração interfere diretamente no tempo para completar tarefas. Para resolver esta situação, os gestores podem acompanhar o trabalho mais de perto ou você pode utilizar lembretes digitais, como apps planejadores de tarefas.

“É muito comum que um paciente de TDAH subestime o tempo necessário para executar uma demanda”, explica Barkley, “ou até mesmo quanto tempo resta até que o prazo se esgote. O tempo é um inimigo do transtorno e, portanto, as ferramentas de gerenciamento são grandes aliadas para pessoas que sofrem da desordem”, esclarece o professor.

Configuração do escritório: como é muito fácil se distrair, escritórios com estas novas configurações amplas, abertas, com poucas paredes, tornam o trabalho ainda mais difícil. Barulhos, estímulos visuais e conversas paralelas podem se tornar grandes problemas.

Tente barganhar um espaço individual para você, mesmo que pequeno, mas que tenha tranquilidade e silêncio.

Dinâmica de equipe: É parte do trabalho do gestor saber compor seu time. Conhecer os pontos fortes e fracos de cada funcionário é um dos fundamentos da liderança. No caso de funcionários com TDAH, “a vontade de conversar e de socializar pode sim tornar o funcionário com o transtorno uma presença sempre desejável por perto”, defende o Dr. Barkley.

Mas, esta característica tem dois lados. “Pessoas com TDAH podem falar demais e perder a noção do comportamento em grupo, dizendo coisas desagradáveis aos sentimentos alheios”, adverte o professor.

Portanto, Dr. Barkley indica aos gestores que reflitam bem na hora de colocar um paciente com TDAH em posições de liderança.

Barkley deixa claro que há exceções, mas, em termos gerais, estes funcionários têm muito mais a contribuir como uma importante peça de um time do que como um gerenciador de pessoas ou tarefas.

Fontes:

1 BIEDERMAN J et al., 2006. Functional impairments in adults with self-reports of diagnosed ADHD: A controlled study of 1001 adults in the community. J Clin Psychiatry. 2006 Apr;67(4):524-40. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16669717 . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

2 ADHD IN THE WORKPLACE. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/adhd-in-the-workplace#2 . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

3 WHAT EMPLOYEES WITH ADHD WANT YOU TO KNOW. FORBES. Disponível em: https://www.forbes.com/sites/denisebrodey/2018/10/04/what-employees-with-adhd-want-you-to-know/#71b1c9043379 . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

4 HOW TO MANAGE EMPLOYEES WITH ADD/ADHD. FORBES. Disponível em: https://www.forbes.com/sites/victorlipman/2012/10/02/how-to-manage-employees-with-addadhd/#26d1ccad78c9 . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

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Filho Adolescente Com TDAH? Fique De Olho No Abuso Dos Remédios

Filho adolescente com TDAH? Fique de olho no abuso dos remédios

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é uma desordem neurodesenvolvimental caracterizada por elevados níveis de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade. O transtorno ocorre em aproximadamente de 3% a 10% das crianças e adolescentes e em 2,5% dos adultos.1

Os tratamentos envolvem abordagens farmacológicas e não farmacológicas, como terapias comportamentais, coaching, terapia cognitivo-comportamental e neurofeedback.

Diversos estudos comprovam a efetividade da prescrição de estimulantes para os sintomas de TDAH em crianças e adultos. Estudos mais recentes reportam que estimulantes geralmente levam a melhorias na autorregulação, planejamento e habilidades organizacionais ligadas à função executiva.2

Porém, como toda medicação, existe um cuidado a ser tomado.

É preciso deixar claro que pessoas que tomam seus remédios como recomendado pelos médicos não correm riscos quaisquer de se tornarem viciadas, como a crença popular pode sugerir.

O que ocorre é que alguns agentes do TDAH, particularmente aqueles com efeitos estimulantes, podem se tornar viciantes quando o paciente abusa das medicações.

Frisamos: quando o paciente abusa das medicações.

Isso ocorre em particular com adolescentes e jovens (sendo que muitos deles sequer possuem prescrições), que abusam dos comprimidos pela sensação de potencialização que os remédios geram quando tomados em excesso ou quando não são necessários, no caso de pessoas que não sofrem do transtorno.

Muitas medicações para o TDAH agem estimulando neurotransmissores no cérebro, como a dopamina e a epinefrina. Ajustar estes neurotransmissores é altamente efetivo em pacientes de TDAH, depressão e ansiedade.

Estimulantes populares incluem o metilfenidato (Ritalina, Concerta, Daytrana), que trabalha potencializando os neurotransmissores. Outros, como o Focalin, utilizam o dexmetilfenidato.

Uma pesquisa monitorou o comportamento de estudantes adolescentes norte-americanos por 33 anos.3 Em 2008, a conclusão foi lançada: 2,9% dos alunos entre 15 e 16 anos abusavam do metilfenidato. 3,4% dos alunos entre 17 e 18% abusavam da mesma substância.

Parece pouco? O número sobe consideravelmente quando falamos de medicações com anfetamina, como Adderall, Dextrostat, Dexedrine e outros remédios que utilizam a dextroanfetamina como princípio ativo.

O abuso de medicações com anfetamina é praticamente o dobro. 6,4% entre jovens de 15 a 16 anos e 6,8% entre jovens de 17 e 18. No estudo, estes medicamentos apareceram como a terceira droga ilícita mais usada pelos jovens.

Efeitos colaterais do abuso

Jovens que abusam destas substâncias em busca de estímulos correm riscos de sérios efeitos colaterais, incluindo pressão alta, taquicardia ou disritmia, dificuldade de respirar, convulsões e tremores, além do desenvolvimento de transtornos do humor. Em graus elevados e por um período extenso de tempo, podem sofrer infartos, alucinações, paranoia e confusão mental.

A National Survey on Drug Use and Health mostrou que jovens que abusam destes remédios têm duas vezes mais chances de se engajarem em comportamento ilegal. Quando álcool é inserido nesta perigosa fórmula, os efeitos podem sair do controle.4

Como identificar o abuso de substâncias

Alguns sintomas tornam o abuso perceptível, como mudanças comportamentais, problemas na escola, mudança nas amizades, longos períodos sem dormir ou comer, isolamento, problemas com a lei, dinheiro sumindo de casa, entre outros.

Caso você note alguma mudança em seu filho, não o julgue. Converse sobre o que ele está sentindo, entre em contato com seu médico, peça exames para se certificar do abuso. Construa um plano de ação com o médico ou terapeuta.

Como evitar o abuso

A maneira mais eficaz de evitar abusos é a mais simples: controlar o acesso às medicações. Guardar remédios ao alcance dos jovens é um erro comum das famílias. Apenas os pais ou responsáveis devem ter acesso aos comprimidos. Eles devem controlar as quantidades diárias para ter certeza de que não há abuso.

Se você já faz isso, pode ser necessário conversar com parentes ou alertar a diretoria da escola, caso seu filho consiga as medicações no ambiente escolar.

Fontes:

1 ATTENTION-DEFICIT / HYPERACTIVITY DISORDER (ADHD). CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Disponível em: https://www.cdc.gov/ncbddd/adhd/data.html . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

2 DUPAUL et al., 2008. Double-blind, placebo-controlled, crossover study of the efficacy and safety of lisdexamfetamine dimesylate in college students with ADHD. J Atten Disord. 2012 Apr;16(3):202-20. doi: 10.1177/1087054711427299. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22166471 . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

3 JOHNSTON LD et al., 2009. Monitoring the future national survey results on drug use, 1975-2006, volume 1, secondary school students (NIH Publication No. 08–6418A). Bethesda, Md.: National Institute on Drug Abuse, 2009: 450-453. Disponível em: http://www.monitoringthefuture.org/pubs/monographs/vol1_2006.pdf . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

4. RESULTS FROM THE 2008 NATIONAL SURVEY ON DRUG USE AND HEALTH: NATIONAL FINDINGS. SUBSTANCE ABUSE & MENTAL HEALTH DATA ARCHIVE. Disponível em: http://www.dpft.org/resources/NSDUHresults2008.pdf . Acesso em: 25 de outubro de 2018.

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TDAH E Sobrepeso: Qual A Relação?

TDAH e sobrepeso: qual a relação?

Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) e sobrepeso são duas questões que comumente andam acompanhadas.

Décadas de pesquisa mostram que o desenvolvimento da obesidade, em indivíduos com TDAH, é significativamente maior do que em alguém sem o transtorno.1 e 2

Química cerebral, fraco controle de impulsividade e hábitos de sono ruins conspiram para uma alimentação equivocada – e perder peso se torna uma missão complicada.

Nas meninas, a questão é ainda mais delicada. Uma pesquisa da Mayo Clinic3 concluiu que garotas com TDAH têm duas vezes mais probabilidade de serem obesas. O que agrava a situação é o aumento da chance de distúrbios alimentares surgirem, como comenta o autor do estudo, o pediatra Seema Kumar.4

Se seu filho usa medicação em seu tratamento, é importante dizer que os remédios podem levar ao aumento de peso indiretamente. Explicaremos esta questão logo abaixo.

Ainda, é senso comum que bons hábitos alimentares exigem controle de impulsividade, algo prejudicado nos pacientes. Portanto, o mero diagnóstico do transtorno já é fator suficiente para cuidar da alimentação com cautela.

O que a medicação pode fazer na química cerebral?

Os remédios mais utilizados para o tratamento de TDAH não geram ganho de peso diretamente. Na realidade, eles têm o efeito oposto.

Remédios estimulantes, como metilfenidato e anfetamina/dextroanfetamina, tiram a fome e fazem o corpo gastar calorias de forma ainda mais rápida. Alguns deles, inclusive, são usados justamente em tratamentos para perda de peso ou compulsão alimentar.5

Mas então, o que ocorre?

Os efeitos destas medicações duram por poucas horas. Uma vez que o efeito dos estimulantes acaba, o apetite pode voltar de forma bastante intensa. Isso sim pode levar ao aumento de peso. Algumas pessoas com TDAH também têm quadros depressivos e tomam remédios específicos, que podem levar ao ganho de peso.

Há mais causas para o sobrepeso em indivíduos com TDAH.

A conexão da dopamina

Este químico cerebral pode ser um pouco culpado pela balança. A dopamina faz parte do sistema de recompensa. Ela é a “sensação boa”, que nos faz satisfeitos após comermos um bolo ou um chocolate.

Pessoas com TDAH têm níveis mais baixos de dopamina. Os remédios estimulantes usados no tratamento do transtorno aumentam estes níveis. Já que comidas com alto açúcar – como biscoitos, doces e batatas – disparam altos níveis de dopamina, a chance de engordar é ainda maior.5

Hábitos alimentares

Muitos sintomas do TDAH, como vimos, impactam os hábitos alimentares. Planeje as listas de supermercado e as refeições familiares com antecedência e se atenha a elas. Caso surjam os típicos imprevistos das famílias com crianças com TDAH, você já terá seu plano adiantado.

Três sintomas do TDAH influenciam os hábitos alimentares ainda mais:

– falta de atenção pode impedir a pessoa de perceber que está saciada;

– estresse leva a comer por questões emocionais;

– monotonia também motiva o hábito do “comer para passar o tempo”.

Fique de olho nestes fatores com relação ao seu filho. Perceba se ele está descarregando sintomas do TDAH na comida e encoraje-o a encontrar formas mais saudáveis de dissipar a energia.

Lembre-se: seu filho não está fadado ao sobrepeso. Mas, ele precisa ter uma compreensão elevada sobre o impacto do transtorno no consumo alimentar, nos exercícios físicos e na saúde em geral.

Se a hiperatividade for o problema principal, aposte nos exercícios. Caminhadas, bicicleta, yoga, artes marciais, dançar na sala de casa. Se o jovem fica entediado com frequência, não imponha tempos de exercício inicialmente. Uma rotina com sessões de 10 a 15min poderá ajudar muito neste caso.

Mantenha em mente a importância do sono. Uma boa noite de sono é crítica para manter o cérebro funcionando apropriadamente. O sono também regula hormônios e, assim, controla o estresse e a alimentação excessiva por motivos emocionais.6

Por fim, seja um modelo. Não adianta contar as calorias do seu filho se você come constantemente e impulsivamente. Filhos aprendem através de exemplos. Não leve seu celular para a mesa. Engaje-se em atividades físicas também. Estimule boas conversas à mesa. Cozinhe com prazer e mostre uma boa relação com os alimentos.

FONTES

1 FLIERS E et al., 2013. ADHD is a risk factor for overweight and obesity in children. J Dev Behav Pediatr. Published in final edited form as: J Dev Behav Pediatr. 2013 Oct; 34(8): 10.1097/DBP.0b013e3182a50a67. doi: 10.1097/DBP.0b013e3182a50a67. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3859965/ . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

2 PAGOTO S E et al., 2009. Association Between Adult Attention Deficit/Hyperactivity Disorder and Obesity in the US Population. Obesity (Silver Spring). 2009 Mar; 17(3): 539–544.
Published online 2009 Jan 8. doi: 10.1038/oby.2008.587. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3221303/ . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

3 FLIERS E et al., 2013. Childhood Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder, Sex, and Obesity. Mayo Clinic Proceeding. March 2016 Volume 91, Issue 3, Pages 352–361. doi: https://doi.org/10.1016/j.mayocp.2015.09.017. Disponível em: https://www.mayoclinicproceedings.org/article/S0025-6196(15)00770-3/fulltext . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

4 ADHD MAY BE TIED TO OBESITY RISK FOR GIRLS. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/childhood-adhd/news/20160204/adhd-tied-to-obesity-risk-for-girls-study-contends#1 . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

5 IS ADHD MEDICATION AFFECTING MY WEIGHT?. WEBMD. Disponível em: https://www.webmd.com/add-adhd/medication-weight#1 . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

6 IS YOUR ADHD BRAIN HARD-WIRED FOR WEIGHT GAIN?. ADDITUDE. Disponível em: https://www.additudemag.com/adhd-and-obesity-hard-wired-for-weight-gain/#footnote1 . Acesso em: 26 de setembro de 2018.

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